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Membros do Talibã verificam veículos na entrada da Zona Verde em Cabul, Afeganistão, onde estão situadas embaixadas, 22 de agosto
Membros do Talibã verificam veículos na entrada da Zona Verde em Cabul, Afeganistão, onde estão situadas embaixadas, 22 de agosto| Foto: EFE/EPA/STRINGER

Com o Talibã de volta ao poder em Cabul, a comunidade internacional teme uma ressurgência da Al Qaeda no território afegão. O grupo responsável pelos atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos foi reduzido de forma significativa durante o conflito das últimas duas décadas, mas há relatos sobre a presença de militantes da Al Qaeda no Afeganistão.

Um porta-voz do Talibã garantiu no domingo que a Al Qaeda não está presente no Afeganistão e que o seu movimento não tem relação com esse grupo. Mohammed Naeem deu a declaração em entrevista a uma televisão saudita, dizendo ainda que o Talibã mantém negociações com os Estados Unidos e outros países sobre a situação do Afeganistão.

"Que interesses temos ainda no Afeganistão a essa altura, com a Al Qaeda derrotada?", questionou o presidente dos EUA, Joe Biden, na semana passada, ao justificar a retirada de tropas americanas do país asiático.

Nas negociações de paz entre o Talibã e o governo do então presidente Donald Trump, realizadas no Qatar no ano passado, o governo americano deixou claro que o grupo teria que se desassociar da Al Qaeda e parar de abrigar grupos terroristas no Afeganistão, o que foi prometido pelo Talibã.

No entanto, a Al Qaeda não foi eliminada da região do Afeganistão e Paquistão, segundo aponta um recente relatório da ONU, que diz que as ligações entre Talibã e Al Qaeda permanecem fortes. Com a volta do Talibã, aumenta a preocupação de que o país se torne novamente um terreno fértil para o terrorismo e o extremismo islâmico.

Abrigo para terroristas

O Talibã retomou o poder no Afeganistão há pouco mais de uma semana, depois de ter controlado a maior parte do país entre 1996 e 2001, quando seu regime foi derrubado por forças da coalizão da Otan liderada pelos Estados Unidos.

Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão em 2001 porque o país asiático era a base da Al Qaeda, responsável pelos atentados terroristas do 11 de Setembro, dando início à "Guerra ao Terror". Antes disso, os líderes talibãs haviam se recusado a entregar Osama bin Laden e deram abrigo à Al Qaeda no território afegão. Bin Laden só seria morto dez anos depois, em uma operação de forças especiais dos EUA no Paquistão.

Agora, o Talibã será monitorado de perto pelos países que querem garantir que o grupo manterá a sua proposta de não oferecer um espaço seguro para grupos terroristas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.

Presença da Al Qaeda no Afeganistão

Um relatório do Conselho de Segurança da ONU, publicado em junho, afirma que o Talibã e a Al Qaeda "permanecem estreitamente alinhados e não dão demonstrações de romper laços".

Segundo informações de inteligência de países membros da ONU, a Al Qaeda está presente em pelo menos 15 províncias afegãs, e continua contando com a proteção do Talibã. Estariam presentes no país as lideranças sênior e centenas de combatentes armados.

Os laços entre Talibã e Al Qaeda "permanecem estreitos, baseados em alinhamento ideológico e relações forjadas na luta em comum e casamentos entre si", afirma o relatório.

Ainda segundo o relatório da ONU, o principal ponto de contato entre os dois grupos extremistas seria a rede Haqqani, as forças de combate do Talibã responsáveis pelos ataques terroristas promovidos pelo grupo, incluindo um dos mais letais desses 20 anos de conflito, que matou 150 pessoas em 2017 com a explosão de um carro-bomba em Cabul.

Essa rede semi-autônoma tem ligações com movimentos jihadistas internacionais e é liderada por Sirajuddin Haqqani, que na hierarquia do poder está logo abaixo do líder do Talibã, Haibatullah Akhundzada. O grupo é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela ONU.

Os líderes da rede Haqqani foram encarregados da segurança de Cabul, o que gerou um sinal de alerta entre as agências de inteligência ocidentais de que a promessa de um Talibã mais "moderado" não será cumprida, e de que a Al Qaeda possa ressurgir.

O porta-voz do Pentágono John Kirby reconheceu, na sexta-feira, a presença atual da Al Qaeda no Afeganistão, e falou sobre a dificuldade de estimar a quantidade de combatentes do grupo terrorista, devido à menor capacidade de coletar informações de inteligência no país e porque "eles provavelmente não carregam uma carteirinha de identificação e registros em algum lugar", noticiou a Associated Press.

Os Estados Unidos garantem ter capacidade de suprimir ameaças terroristas com sistemas sofisticados de vigilância e ações de contraterrorismo.

Essa capacidade pode ter sido afetada pela apressada retirada americana do Afeganistão e as operações de evacuação por governos ocidentais. Seis pessoas consideradas uma "ameaça direta" ao Reino Unido foram detectadas nas checagens de segurança das pessoas que estão sendo retiradas de Cabul, noticiou o jornal britânico The Guardian.

Esses indivíduos estavam na lista do Reino Unido de pessoas proibidas de viajar em aviões, mas uma delas chegou ao aeroporto de Birmingham, onde estão chegando os voos que trazem civis do Afeganistão. No entanto, o Ministério do Interior do Reino Unido disse na noite desta segunda-feira que, após averiguações, o indivíduo que chegou ao país não é uma "pessoa de interesse" para as forças de segurança e policiais.

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