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Os deputados alemães aprovaram em massa nesta sexta-feira (12) a prolongação da permanência de suas tropas no Afeganistão, contra a vontade do povo, que não acredita mais no sucesso da operação militar internacional.

Em alguns meses, o Afeganistão se tornou a preocupação internacional número um da classe política alemã: a retomada da influência dos talibãs e a intensificação das violências vêm levando alguns representantes a pedir o fim do engajamento e outros a defender, ao contrário, o reforço de seu contingente.

Na votação, 453 dos 580 deputados aprovaram a medida, defendida pelas Uniões Cristãs (CDU/CSU) e o Partido Social democrata (SPD), aliados na grande coalizão, em nome do postulado que reza que "A segurança da Alemanha começa em Hindu Kush".

No total, 79 deputados, principalmente da esquerda ex-comunista, votaram contra a manutenção das tropas, e 48 deputados se abstiveram, dos quais a maioria do Partido Verde. Estes últimos refletem a opinião de 61,1 % dos alemães, que não querem que os militares alemães continuem no Afeganistão, segundo pesquisa publicada nesta sexta-feira.

Engajamento

Diante da indignação popular, o chefe do grupo parlamentar SPD Peter Struck lançou um apelo à chanceler Angela Merkel para que visite o Afeganistão para mostrar aos alemães porque o país está engajado nesta missão, com 3.000 homens e seis aparelhos Tornado, sem contar os formadores da Polícia e colaboradores civis.

Assim, Struck criticou implicitamente a chanceler por não ter visitado o Afeganistão em dois anos de governo.

Os dirigentes alemães querem rediscutir na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) o conceito global da intervenção internacional. Para Berlim, a reconstrução civil e a operação militar devem andar juntas, evitando ao máximo as vítimas civis.

Mas a voz de Berlim não pesa necessariamente muito na Otan: os alemães, que têm a responsabilidade do norte mais tranqüilo do país, estão submetidos a pressões constantes de seus aliados para se comprometer no sul onde ocorrem os combates.

A Alemanha se nega a ultrapassar esta linha vermelha, alegando que os instrutores alemães formam soldados afegãos, mas no norte.

O representante especial da ONU no Afeganistão, o alemão Tom Koenigs, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao jornal "Passauer Neue Presse", que as disputas internas na Alemanha sobre o compromisso no Afeganistão "reforçam os talibãs".

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