
Brasília - O chanceler Celso Amorim vê claras evidências de xenofobia na agressão contra a brasileira Paula Oliveira, 26 anos, na Suíça. "A moça não foi assaltada, aparentemente não houve estupro. Não que essas outras coisas diminuíssem o caso, apenas denotam outra motivação'', disse ontem.
Um grupo de três rapazes carecas, ostentando suásticas tatuadas, espancou e desferiu golpes de canivete por todo o corpo da advogada.
A agressão aconteceu na última segunda-feira, em Dübendorf, na Suíça. Paula, que mora legalmente no país, estava grávida de gêmeos, no terceiro mês de gestação. Perdeu os bebês e agora carrega cerca de cem marcas de canivete pelo corpo, de acordo com o pai da vítima, o assessor parlamentar Paulo Oliveira. Nas pernas, os cortes formam a sigla SVP, iniciais em alemão do Partido Popular Suíço, de extrema-direita, contrário à presença de imigrantes no país.
Racismo
Nos últimos anos, o SVP promoveu uma série de propagandas racistas. Em uma delas, ovelhas brancas chutavam para fora do mapa da Suíça ovelhas negras. Em outra, o partido afirma que o aumento da criminalidade na Suíça ocorreu por causa da imigração.
Amorim ligou ontem para a cônsul-geral do Brasil na Suíça, Vitória Cleaver, pedindo que ela exija rapidez na investigação nos meios diplomáticos, isso só acontece em casos excepcionais.
Amorim, que considerou o crime "grave'' e "chocante'', disse que, caso fique provado que a agressão teve motivação xenofóbica, o crime ganha proporções muito mais graves. Constatada a xenofobia, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos pode entrar no caso, no sentido de pressionar a Suíça a endurecer a repressão a esse tipo de ato. "É preciso que fique claro que haverá uma investigação em todos os aspectos'', afirmou o ministro.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), entregou pessoalmente um protesto à embaixada da Suíça. O deputado se diz muito surpreso com o comportamento da polícia suíça e do pouco caso que a imprensa europeia tem dado ao assunto.
Na noite de segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009, a Polícia de Zurique foi chamada à estação de trem de Stettbach, onde se encontrava uma mulher com ferimentos provocados por um instrumento cortante.
As circunstâncias que levaram aos ferimentos são vagas.
A Polícia de Zurique investiga e procura testemunhas.
(...)
No local do crime foi realizado um amplo trabalho de detecção de pistas e vestígios.
No momento não é possível dar nenhuma informações sobre o exame de corpo de delito. As circunstâncias exatas do crime ainda não estão esclarecidas.
A Polícia de Zurique investiga em todas as direções.
Trecho do comunicado da polícia de Zurique.
Interatividade
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