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Uma análise de milhares de crânios mostrou que os seres humanos modernos tiveram origem em um único ponto na África, e enterrou de vez a hipótese de que tenha havido múltiplas origens, disseram cientistas britânicos na quarta-feira.

A maioria dos pesquisadores concorda que a humanidade sugiu na África há cerca de 50 mil anos, disseminando-se rapidamente e estabelecendo culturas na Europa, na Ásia e na Austrália, na Idade da Pedra.

Mas uma minoria defendia, baseada no estudo de crânios, que populações divergentes tinham evoluído de forma independente em diversas áreas.

As evidências genéticas sempre sustentaram a teoria da origem única, e agora os resultados do estudo de mais de 6.000 crânios pertencentes a coleções acadêmicas do mundo todo dá ainda mais força à tese.

"Combinamos nossos dados genéticos com novas medidas de uma grande amostra de crânios e mostramos definitivamente que os seres humanos modernos tiveram origem em uma única área, na África subsaariana", disse Andrea Manica, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge.

Manica e colegas escreveram na revista Nature que as variações no tamanho e no formato dos crânios diminuíam conforme a distância das amostras em relação à África aumentava, assim como acontece com as variações do DNA.

A redução reflete o fato de que, embora a população original africana fosse estável e variada, apenas um pequeno número de pessoas embarcou em cada migração para fora da África. Isso criou uma série de "gargalos", o que reduziu a diversidade.

O maior nível de variação nos crânios foi observado no sudeste da África, região que costuma ser considerada o berço da humanidade.

O trabalho de Cambridge também sugere que o cruzamento com outras populações iniciais, como os neandertais, ou não aconteceu ou foi insignificante. A conclusão contraria sugestões recentes de que tal hibridismo tenha sido bastante comum.

"Não estamos dizendo que nunca tenha havido acasalamento entre um homo sapiens e um neandertal. Mas posso dizer, convictamente, que, qualquer que tenha sido o produto desse acasalamento, ele não se misturou com a população", disse Manica à Reuters.

O paleoantropólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, disse que a pesquisa é importante por indicar que a diversidade humana atual deriva inteiramente da África.

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