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Sting: sem dom para as rimas | Arquivo Gazeta do Povo
Sting: sem dom para as rimas| Foto: Arquivo Gazeta do Povo

Livros lançados no Brasil

- Shikasta- O Carnê Dourado- As Experiências de Sirius- O Sonho de Marta Quest- Os Agentes Sentimentais - O Sonho Mais Doce- O Planeta 8- Eclesiastes- Amor, de Novo- Andando na Sombra- Debaixo da Minha Pele- Prisões que Escolhemos para Viver- O Quinto Filho

Principais prêmios

- Literatura Européia (Áustria, 1981)- Shakespeare (Alemanha, 1985)- Los Angeles Times Book Prize (Estados Unidos, 1995)- Príncipe das Astúrias(Espanha, 2002)

São Paulo – A escritora inglesa Doris Lessing fazia compras, em Londres, quando a Academia Sueca anunciou ontem seu nome como a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura deste ano. A "capacidade para transmitir a ‘épica’ experiência feminina e narrar a divisão da civilização com ceticismo, paixão e força visionária" de Lessing foram fundamentais para a decisão do instituto, lida pelo secretário permanente da Academia Sueca, Horace Engdahl.

Duas horas depois da divulgação e ainda sem saber, ela chegou de táxi e se surpreendeu com sua casa rodeada de repórteres e cinegrafistas. "Pensei que estivessem gravando algum programa de televisão", disse Doris, surpresa com a premiação. "Estou há 30 anos assim. Ganhei todos os prêmios da Europa, todos eles. Fico muito feliz por vencer todos. É uma grande emoção."

Recompensa

De fato, sua longa trajetória literária foi recompensada com o Prêmio Somerset Maugham (1964), o Prêmio de Literatura Européia do Estado Austríaco (1981), o Shakespeare da Fundação FVS de Hamburgo, o Prêmio Internacional da Catalunha (1999), o David Cohen de Literatura (2001) e o Príncipe de Astúrias das Letras (2001).

Horace Engdahl reconheceu, no entanto, que essa foi uma das decisões "mais meditadas" da Academia. "Há anos analisamos sua obra e concluímos que o melhor momento para premiá-la era agora"

Aos 87 anos (faz aniversário no dia 22), Doris Lessing tornou-se a pessoa mais velha a ganhar um Nobel. Nascida na cidade persa de Kermanshah (atual Irã). Lá morava seu pai, que tinha sofrido graves amputações na 1.ª Guerra Mundial, onde trabalhava no Banco Imperial e era casado com uma ex-enfermeira.

Em 1924 a família se mudou para a Rodésia do Sul (atual Zimbábue), então colônia britânica, e se instalou em uma fazenda Foi lá que Doris passou a infância e a juventude. Ela foi educada em um colégio de freiras católicas e depois em um liceu feminino também em Salisbury (hoje Harare), até os 13 anos.

O início

Ao chegar à capital britânica, em 1949, a escritora tinha o manuscrito do seu primeiro romance, The Grass is Singing (ainda sem tradução para o português), um texto sobre a vida na África. Comprometida com o universo feminino, escreveu em 1952 a primeira obra de reflexão nesse sentido, intitulada O Sonho de Martha Quest e primeiro dos cinco livros da série Os Filhos da Violência (1951–59). A consagração veio em 1962 com "O Carnê Dourado", que, segundo a Academia, foi "uma obra pioneira" que "mostrou a visão no século 20 da relação homem–mulher".

Os conflitos entre culturas, o comprometimento com o feminismo, a desigualdade racial e a contradição entre consciência individual e bem-estar coletivo são alguns dos temas tratados em sua produção literária, que compreende mais de 40 livros – em novembro, a Companhia das Letras lança mais um, As Avós.

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