Bagdá Árabes e persas expressaram seu ódio a Israel e apoio ao Hezbollah em diversas manifestações em todo o Oriente Médio ontem, no dia de orações para os muçulmanos. Centenas de milhares de xiitas tomaram as ruas de um bairro popular de Bagdá e um protesto foi registrado até na Arábia Saudita, onde são raras manifestações populares de descontentamento.
Um protesto tornou-se violento em Teerã, onde cerca de 100 pessoas jogaram pedras e um coquetel molotov na Embaixada britânica, danificando o prédio mas não ferindo ninguém. Os manifestantes acusaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos de serem cúmplices de Israel na luta contra o Hezbollah.
Houve protestos também em Damasco, Cairo e Amã, mas nada comparou-se à "marcha de um milhão de homens" em Bagdá, organizada pelo clérigo radical antiamericano Muqtada al-Sadr. Pelo menos 200 mil seguidores de al-Sadr de todas as regiões xiitas do Iraque convergiram para o bairro bagdali de Cidade Sadr gritando "Morte a Israel! Morte aos EUA!" na maior manifestação pró-Hezbollah desde que Israel iniciou os bombardeios contra o Líbano em 12 de julho.
Manifestantes, vestindo mantos brancos simbolizando o desejo de se sacrificar pelo Hezbollah, agitavam bandeiras da milícia libanesa e gritavam slogans de apoio ao líder dela, xeque Hassan Nasrallah. A milícia está sendo idolatrada no mundo árabe por seu desafio ao poder militar israelense.
"Alá, Alá, dê a vitória a Hassan Nasrallah", gritava a multidão antes de queimar bandeiras israelenses e norte-americanas. Manifestantes pintaram as bandeiras de Israel e dos EUA na principal rua que levava ao local da concentração, e os participantes pisavam nelas um gesto ofensivo no Iraque. Ao lado das bandeiras estava escrito: "Estes são os terroristas".
A manifestação transcorreu sem violência algo por si só memorável levando em conta a crise de segurança que vive a capital iraquiana.
Na Arábia Saudita, centenas de xiitas marcharam pelas ruas durante os últimos três dias no município de al-Qatif, na região da costa do Golfo, onde há uma alta concentração de xiitas. Na Ásia, muçulmanos também se manifestaram em apoio ao Hezbollah em países como Indonésia, Filipinas, Malásia e Paquistão.



