pandemia pobreza argentina
Homem coleta alimentos descartados em uma lixeira em Buenos Aires, em 31 de março de 2021, em meio à pandemia de COVID-19| Foto: UAN MABROMATA/AFP

Os argentinos estão mais preocupados com as consequências econômicas da pandemia, que agravaram a pobreza no país em 2020, do que com a possibilidade de serem infectados com o novo coronavírus. Uma pesquisa de opinião da consultoria Management & Fit, realizada com mais de duas mil pessoas em todo o país e publicada por jornais neste domingo, revelou que 55,9% dos argentinos temem mais os efeitos econômicos da Covid-19, enquanto 31,3% disseram estar mais preocupados em contrair a doença. Segundo a consultoria, a aflição com a crise econômica é maior entre os argentinos com menos de 40 anos e os que têm nível educacional mais alto, passando de 64% nestes dois grupos.

Outros dados da sondagem que reforçam a preocupação dos argentinos com a economia: 67% dos consultados afirmam que a situação econômica do país está pior do que um ano atrás e 57,7% disseram que estão pessimistas quanto aos próximos meses – apenas 18% acreditam que as coisas vão melhorar. Soma-se a isso a percepção do argentino sobre a qualidade de vida. Outra pesquisa, feita recentemente pela Taquion, Horus, Inclusión y Gestión Federal, mostrou que mais da metade dos entrevistados considera que sua qualidade de vida piorou no último ano.

Apesar da preocupação com a economia, grande parte da população parece estar disposta a encarar mais medidas restritivas diante de uma segunda onda de Covid-19 no país: 39,3% afirmaram que estão “muito dispostos” e 19,9%, “dispostos” – respostas que, se somadas, representam 59,2% dos entrevistados. Os mais propensos a abraçar um novo lockdown para conter a propagação do coronavírus são os maiores de 40 e as pessoas com nível educacional mais baixo, mas mesmo entre os demais grupos estratificados pela pesquisa prevalece a disposição de cumprir um confinamento mais severo.

Novas restrições em consideração

Isso não quer dizer que a ideia os agrada, mas com o aumento de casos, há grande probabilidade de que novas medidas sejam anunciadas em breve.

A situação é especialmente preocupante em Buenos Aires e na região metropolitana. No fim de semana, foram registrados 1.944 novos casos na capital e 5.274 na província – cifras bastante altas para um fim de semana. Nesta segunda-feira, autoridades federais, portenhas e  bonaerenses vão se reunir para discutir uma estratégia para conter a propagação do vírus.

O prefeito da capital, Horacio Rodríguez Larreta, do partido de centro-direita Pro, acredita não serem necessárias novas medidas de restrição. “Na Cidade não estamos tomando novas medidas de restrição. Há algumas que ainda restringem algumas atividades e outras que através dos protocolos têm algumas limitações”, disse o chefe da Casa Civil de Buenos Aires, Felipe Miguel, no fim de semana.

Ações mais firmes, porém, foram solicitadas pelo governo da província, que cogita quatro semanas de uma quarentena que reduza a mobilidade da população para menos de 50%.

O presidente Alberto Fernández, que está com Covid-19, também está analisando a necessidade de implantar uma nova “quarentena federal”, segundo informou o jornal La Nación, embora não tão restrita quanto a do ano passado. A escassez de recursos federais para suportar uma segunda quarentena em todo o país, porém, pode fazer com que muitos governadores pensem duas vezes antes de abraçar a ideia. Definições devem ser divulgadas em breve.

De acordo com o monitoramento da agência de notícias Reuters, foram registrados, em média, 6.500 novas infecções diariamente nas últimas três semanas em todo o país, chegando a mais de 10 mil novos casos diários nos últimos sete dias. Os dados indicam uma nova onda da pandemia e colocam a Argentina no caminho de registrar número de novas infecções tão alto quanto o registrado em outubro do ano passado, quando o país registrou o pior momento da crise epidemiológica. O número de mortes não acompanhou essa subida.

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