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História

Arqueólogos tentam entender como navio afundado há 2 mil anos tem partes preservadas

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Navio Ilovik–Paržine 1 foi encontrado em 2016 a apenas quatro metros de profundidade (Foto: Pixabay)

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Uma embarcação afundada há mais de 2.000 anos no mar Adriático, localizado entre a península Itálica e a Balcânia, pode reescrever o conhecimento sobre a engenharia náutica do passado.

Isso porque, recentemente, pesquisadores franceses e croatas descobriram que o navio Ilovik–Paržine 1, encontrado em 2016 a apenas 4 metros (13 pés) de profundidade, possuía diversas camadas de revestimento orgânico que ajudaram os estudiosos a compreender como os romanos protegiam seus navios para resistir por décadas em longas travessias marítimas.

Em um estudo publicado na revista científica Frontiers in Materials, liderado pela arqueometrista francesa Armelle Charrié-Duhaut, do Laboratório de Espectrometria de Massa de Interações e Sistemas, em Estrasburgo, foram identificados dois tipos diferentes de revestimento no casco da embarcação.

Um deles era feito de piche de pinho, e o outro com uma mistura de alcatrão de pinheiro e cera de abelha.

O estudo indicou que ambos os tipos de revestimento eram cruciais para garantir a impermeabilidade dos navios e prevenir que as embarcações sofressem os efeitos corrosivos da água salgada e de organismos marinhos.

"Na arqueologia, pouca atenção é dada aos materiais orgânicos de impermeabilização. No entanto, eles são essenciais para a navegação no mar ou em rios e são verdadeiros testemunhos de tecnologias navais do passado", afirmou Armelle Charrié-Duhaut em entrevista à Science Alert.

Ela explicou que, durante a análise do Ilovik–Paržine 1, os pesquisadores concluíram que o pólen preservado no piche permitiu identificar a origem botânica presente durante a construção e as manutenções do navio. Isso revelou detalhes, anteriormente desconhecidos, sobre a logística e conhecimento dos romanos há mais de 2 mil anos.

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Naufrágio é tema de pesquisas para compreender estrutura preservada

Desde que o navio Ilovik–Paržine 1 foi encontrado, em 2016, o naufrágio tem sido tema de diversas pesquisas e teses de estudiosos. Arqueólogos tentam compreender como uma embarcação afundada há mais de 2.000 anos, encontrada em pedaços, pôde ter parte de sua estrutura preservada por tanto tempo, mesmo após séculos submersa no mar.

O estudo atual, de Armelle Charrié-Duhaut, foi o pioneiro em combinar análises moleculares e palinológicas (estudo científico de grãos de pólen), para caracterizar o revestimento do casco. Pois, ainda que o navio estivesse em pedaços, sua madeira estava suficientemente bem preservada para reter vestígios dos revestimentos.

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Na pesquisa, foram utilizadas técnicas avançadas de espectrometria de massa para identificar a origem biológica das substâncias.

Nele, foram analisadas 10 amostras de revestimento e todas apresentaram compostos de árvores coníferas (plantas conhecidas por produzir cones (pinhas) em vez de flores ou frutos — confirmando que os romanos utilizaram resina de pinho aquecida.

Além disso, foi constatado que em uma das amostras foi encontrada cera de abelha misturada ao piche, dando origem a uma substância conhecida pelos gregos como zopissa — termo que aparece nos escritos de Plínio, o Velho, no século I.

Pela sua natureza viscosa, o piche preservou grãos de pólen do ambiente original, o que permitiu aos pesquisadores rastrear as regiões de produção e aplicação do revestimento.

Em sua análise, foram reveladas espécies comumente presentes na flora do Mediterrâneo: pinheiros, carvalhos, zimbros, oliveiras, estevas e plantas da família das margaridas, além de espécies de zonas úmidas como amieiros e freixos.

Isso sinaliza que o navio passou por diversos reparos em diferentes portos do Mediterrâneo e do Adriático e acredita-se que a embarcação foi construída em Brundisium – hoje conhecida como Brindisi – na Itália.

A pesquisa apontou que foram encontradas entre quatro e cinco camadas de revestimento com diferentes variações, reforçando a tese de múltiplos reparos.

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Romanos tinham grande capacidade técnica naval

Para a arqueometrista francesa, sua pesquisa demonstra a elevada capacidade técnica naval dos romanos.

"No contexto da arqueologia naval no nordeste do Adriático, uma nova abordagem interdisciplinar foi implementada para estudar o revestimento protetor do naufrágio romano republicano Ilovik-Paržine 1", 
afirmam os pesquisadores.

"Essa abordagem abrangente nos permite considerar o navio como um todo, entendendo as técnicas utilizadas, as fases de sua vida útil, seus movimentos, seu ambiente, indo muito além de uma simples descrição dos materiais."



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