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Violência

Atentado em Bogotá é 1.º revés do governo Santos

Explosão de carro- bomba em frente do prédio da maior rádio do país deixa ao menos 18 feridos

Bombeiros inspecionam local onde um carro-bomba explodiu, em Bogotá: recado ao novo governo | Eitan Abramovich/AFP
Bombeiros inspecionam local onde um carro-bomba explodiu, em Bogotá: recado ao novo governo (Foto: Eitan Abramovich/AFP)
Veja onde foi o atentado |

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Veja onde foi o atentado

Caracas - A sucessão de boas notícias que vinham marcando os primeiros dias do governo do novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi eclipsada ontem por um atentado com um carro-bomba em frente da Rádio Caracol, a maior do país, em Bogotá.

Ao menos 18 pessoas ficaram feridas, mas todas já haviam saído do hospital à noite. O artefato explodiu às 05h27, derrubando parte do teto do estúdio de gravação da rádio, do grupo espanhol Prisa, e quebrando vidros em cerca mil edifícios, na região da capital que abriga também o distrito financeiro.

No edifício atingido também funciona a agência de notícias espanhola Efe.

A ação foi repudiada, entre ou­­tros, por Brasil, EUA e Vene­­zue­­la, recém-reconciliada com a Co­­lômbia.

Santos, no local do atentado, pediu para o país não "cair na armadilha do terrorismo’’ e afirmou que a política de segurança democrática, que recebeu de seu padrinho político Álvaro Uribe ao assumir a Presidência no sábado, "não vai baixar a guarda um só milímetro’’.

"Querem estragar a festa, mas não vão conseguir’’, afirmou.

Até o fechamento desta edição, nenhum grupo havia assumido a ação, e autoridades não apontavam suspeitos. Apenas o ministro da Defesa, Rodrigo Ri­­vera, fez uma referencia às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país, sem citá-las.

Na análise de especialistas e políticos do país, a explosão visa mandar uma mensagem ao novo governo.

"Os autores podem ser a extrema direita, os narcotraficantes ou as Farc’’, diz Alejo Vargas Ve­­láz­­quez, especialista em confli­­to ar­­mado da Universidade Na­­cio­­nal.

As Farc, enfraquecidas como nunca no governo Uribe, teriam a intenção de mostrar que ainda têm força para causar danos e, principalmente, pânico na capital.

Já os cartéis do narcotráfico, à moda do poderoso Pablo Escobar até meados dos anos 90, desejariam expor poderio para arrancar condições favoráveis de seus chefes na prisão, por exemplo.

"Há uma terceira hipótese: que a ação venha de "poderes ocultos’ que estão preocupados com a atitude "ecumênica’ de­­mais de Santos diante dos escândalos do governo anterior, aos vizinhos e à possibilidade de diálogo’’, diz Aldo Cívico, estudioso do conflito colombiano da Uni­­versidade Rutgers (EUA).

Afastamento

No Twitter, o ex-candidato à Pre­­sidência do esquerdista Polo De­­mocrático, Gustavo Petro, pediu investigação séria e afirmou que o objetivo é forçar o alinhamento total de Santos a Uribe.

O novo presidente tem feito movimentos rápidos para se afastar do antecessor. No discurso de posse, pôs ênfase na política so­­cial, e não na "segurança democrática’’.

Prometeu combater com vigor os grupos ilegais, mas disse também que a porta ao diálogo "não está fechada com chave’’.

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