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O ativista palestino Nizar Banat, conhecido crítico da Autoridade Palestina, morreu após ser preso em Hebron, na Cisjordânia, 24 de junho
O ativista palestino Nizar Banat, conhecido crítico da Autoridade Palestina, morreu após ser preso em Hebron, na Cisjordânia, 24 de junho| Foto: Reprodução / Facebook / Nizar Banat

O ativista palestino Nizar Banat, um proeminente crítico da Autoridade Palestina, morreu nesta quinta-feira (24) após ser preso durante a madrugada por forças de segurança em sua casa na região de Hebron, na Cisjordânia. A família de Banat diz que ele foi brutalmente espancado durante a prisão.

O governador de Hebron, Jamil al-Bakri, disse que o ministério público havia intimado o ativista e que "durante a prisão seu estado de saúde se deteriorou". "Ele foi imediatamente transferido ao Hospital do Governo de Hebron. Depois de ser examinado por médicos, ele foi declarado morto", disse a autoridade, sem comentar as alegações da família. Segundo o governador, uma investigação sobre a morte foi aberta.

Nizar Banat, 44 anos, publicava vídeos com críticas à Autoridade Palestina, incluindo ao presidente Mahmoud Abbas, em sua página no Facebook que tem mais de 100 mil seguidores. Ele acusava autoridades de corrupção e pedia aos países do Ocidente que não enviassem mais auxílio financeiro à AP. Em sua publicação mais recente, Banat criticou o primeiro-ministro da Palestina pelo cancelamento de um acordo com Israel para a transferência de 1 milhão de vacinas da Pfizer contra Covid-19.

Segundo familiares de Banat que disseram estar com ele no momento da prisão, cerca de 20 policiais da AP o espancaram violentamente. De acordo com a família, a prisão ocorreu por volta de 3:30 da manhã. Os policiais entraram no quarto onde ele dormia e usaram spray de pimenta para dominá-lo, depois bateram no ativista com barras de ferro e cassetetes de madeira, em seguida o despiram e continuaram a espancá-lo, relatam os familiares, segundo a imprensa local.

Um primo do ativista, Hussein Banat, disse à AFP que os policiais o espancaram por oito minutos. "Se vieram para prendê-lo, que o levassem. Por que a brutalidade? Por que a violência?", questionou. Um outro primo disse que a família soube que Banat estava morto cerca de uma hora e meia depois, por um grupo de WhatsApp.

Na tarde desta quinta-feira, manifestantes protestaram na cidade de Ramallah, com gritos de "as prisões não nos assustam" e "o povo quer a queda do regime". Forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que marchavam em direção ao complexo presidencial de Abbas, noticiou a BBC.

O primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh, ordenou a formação de um comitê para investigar a morte, que será liderado pelo ministro da Justiça e incluirá um médico apontado pela família do ativista.

Um porta-voz do Hamas, o grupo militante que controla a Faixa de Gaza, disse que "o assassinato" de Banat "reflete a política sangrenta da AP de acerto de contas".

Banat, que já havia sido preso outras vezes nos últimos anos, foi candidato nas eleições legislativas que seriam realizadas em maio mas foram adiadas por Mahmoud Abbas.

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