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Gangues de insurgentes congoleses e ruandeses estupraram mais de 200 mulheres e até bebês durante quatro dias em Luvungi, perto da uma base das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), no leste da República Democrática do Congo, disseram nesta segunda-feira (23) o trabalhador humanitário norte-americano Will F. Cragin, dos Corpos Médicos Internacionais, e o médico congolês Kasimbo Charles Kacha, chefe distrital médico da região.

Cragin contou que trabalhadores e soldados da ONU sabiam que os insurgentes haviam ocupado Luvungi e os vilarejos vizinhos no leste do Congo um dia após o ataque ter começado em 30 de julho. Mais de três semanas depois do inicio das atrocidades, a missão da ONU não emitiu nenhum comunicado e informou hoje que ainda investiga os crimes.

O norte-americano disse à agência de notícias Associated Press que sua organização conseguiu apenas entrar na cidade, que fica a 16 quilômetros de uma base militar da ONU, após os insurgentes terem finalizado sua onda de estupros e saques e se retirado da cidade no dia 4 de agosto.

Charles Masudi, líder da organização Sociedade Civil, afirmou que existiam apenas 25 soldados da ONU perto de Luvungi e que eles fizeram o que puderam contra uma força estimada entre 200 e 400 insurgentes, que ocupou a cidade de 2.200 moradores e cinco vilarejos vizinhos.

"Quando os 25 soldados se aproximavam de um vilarejo, os insurgentes fugiam para a floresta, mas então quando eles precisavam partir para outro, eles voltavam", disse Masudi. Cragin contou que não ocorreram tiroteios, combates e mortes, apenas "saques e estupros generalizados das mulheres". Quatro bebês meninos também foram estuprados, disse Kasimbo Charles Kacha.

"Muitas mulheres disseram que foram estupradas nas suas casas, na frente dos filhos e maridos, por três a seis homens", afirmou Cragin. Trabalhadores locais e internacionais de saúde disseram que 179 mulheres receberam tratamento médico, mas que o número de agredidas pode ser muito maior, já que várias pessoas fugiram para a floresta.

O estupro como arma de guerra tem sido amplamente usado no leste do Congo, onde pelo menos 8.300 foram reportados no ano passado, de acordo com as Nações Unidas. Acredita-se que o número de estupros não informados seja muito maior.

Grupos insurgentes

As vítimas do ataque a Luvungi disseram que os agressores eram insurgentes ruandeses das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), um grupo criminoso que participou do genocídio dos tutsi em Ruanda em 1994 e depois fugiu para o Congo (ex-Zaire). Segundo as vítimas, insurgentes congoleses Mai-Mai também participaram do ataque.

O governo do Congo pediu no começo deste ano a retirada da missão dos soldados das Nações Unidas, que atualmente é a maior força de paz da ONU no mundo, com 20 mil homens, dizendo que ela fracassou em sua missão primordial, que era a defesa dos civis no leste congolês.

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