Dom Jaime Coelho estima que cerca de 150 bispos brasileiros participaram do Concílio Vaticano II, mas não havia um líder. "A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estava se estruturando, era difícil os bispos se encontrarem", lembra dom José de Aquino Pereira, de São José do Rio Preto (SP), que exemplifica com uma anedota: "dois padres conciliares se encontraram no ponto de ônibus e arranharam o italiano para se entender. Só perto da Domus Mariae, hospedagem da maioria dos brasileiros, notaram que eram patrícios..."
Entre os temas mais caros aos brasileiros, destacam-se a pobreza, a participação leiga e a reforma litúrgica, embora dois dos participantes do Brasil com maior projeção fossem contrários às mudanças na missa: dom Geraldo Sigaud, de Diamantina (MG), fundou o grupo resistente às inovações; dom Antônio de Castro Mayer, de Campos (RJ), seguiria o francês Marcel Lefèbvre e também acabaria excomungado por João Paulo II. "Ele foi meu professor, era inteligentíssimo. Senti muito pelo caminho que tomou", lamenta dom Jaime. Castro Mayer teria tentado reconciliar-se com a Igreja no fim da vida.
Como as chances de falar eram poucas, e os cardeais tinham prioridade, dom Jaime de Barros Câmara, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, era o porta-voz dos compatriotas. Ele também foi escolhido pelo Papa para a comissão de Seminários e Universidades. Na comissão de Igrejas Orientais estava dom Manuel da Silveira d'Elboux, então arcebispo de Curitiba.
Mas o brasileiro de maior importância no Vaticano II foi provavelmente dom Hélder Câmara (abaixo), à época bispo auxiliar do Rio de Janeiro. Ele participou dos trabalhos de preparação, de 1959 a 1962 e, ao lado dos cardeais Frings, Liènart e Suenens, tomou a frente na mudança de composição das comissões e reduziu a influência da Cúria Romana, logo no início do concílio. (MAC)
Leia amanhã - As mudanças na missa e os documentos do Concílio Vaticano II.



