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Bento XVI em imagem de 2007, ao lado do irmão Georg Ratzinger, falecido em 2020
Bento XVI em imagem de 2007, ao lado do irmão Georg Ratzinger, falecido em 2020| Foto: EFE/EPA/GIUSEPPE GIGLIA

Em carta divulgada pelo Vaticano nesta terça-feira (8), o papa emérito Bento XVI pediu perdão por casos de abuso sexual dentro da Igreja Católica, mas reiterou que nunca acobertou fatos dessa natureza no período em que foi arcebispo de Munique e Freising, entre 1977 e 1982.

Um relatório investigativo divulgado em janeiro apontou que o papa emérito teria sido informado sobre padres que abusaram de crianças na arquidiocese naquela época, mas não afastou os suspeitos.

A respeito do relatório, elaborado pelo escritório de advogados Westphal Spilker Wastl, Bento XVI apontou que um grupo de conselheiros ajudou-o a preparar uma resposta de 82 páginas, o que exigiu a leitura e análise de quase 8 mil páginas de atos em formato digital.

“Depois, estes colaboradores ajudaram-me a estudar e analisar a perícia de quase 2 mil páginas. O resultado será publicado posteriormente em apêndice à minha carta”, escreveu o papa emérito.

Bento XVI reafirmou um argumento que seu secretário pessoal, Georg Gänswein, já havia apresentado em 24 de janeiro, quando o papa emérito voltou atrás numa declaração escrita para investigadores alemães e admitiu que havia participado de uma reunião em 15 de janeiro de 1980 em Munique para discutir a situação de um padre então suspeito de pedofilia e que foi condenado por esse crime posteriormente, em 1986. Na ocasião, o secretário de Bento XVI destacou que havia ocorrido “um descuido na edição de sua declaração”.

“Este erro, que infelizmente ocorreu, não foi intencional e espero que seja desculpável”, escreveu o papa emérito na carta divulgada nesta terça-feira. “Tocou-me profundamente que a distração tivesse sido utilizada para pôr em dúvida a minha veracidade e até mesmo para me fazer aparecer como mentiroso. Mais ainda, porém, me comoveram as variadas expressões de confiança, os testemunhos cordiais e as calorosas cartas de encorajamento que recebi de tantas pessoas. Sinto-me particularmente agradecido pela confiança, o apoio e a oração que o papa Francisco me expressou pessoalmente.”

Bento XVI informou que participou de encontros com vítimas e “mais uma vez posso apenas expressar a todas as vítimas de abusos sexuais a minha profunda vergonha, a minha grande dor e o meu sincero pedido de perdão”.

“Tive grandes responsabilidades na Igreja Católica. Tanto maior é a minha dor pelos abusos e os erros que se verificaram durante o tempo do meu mandato nos respectivos lugares. Cada caso de abuso sexual é terrível e irreparável. Para as vítimas de abusos sexuais, vai a minha profunda compaixão e lamento cada um dos casos”, destacou.

Em uma análise sobre o relatório de Munique, os conselheiros de Bento XVI reiteraram o argumento do erro de edição e defenderam que o papa emérito não tinha conhecimento de abusos cometidos por padres.

Sobre a reunião de 1980, eles argumentaram que o então arcebispo, além de desconhecer os abusos cometidos pelo padre em questão, também não sabia que ele seria admitido em atividades pastorais na arquidiocese de Munique – a única informação que recebeu é que o padre seria acomodado em Munique para passar por terapia, cujo motivo não foi comentado na reunião, nem a volta do agressor ao trabalho pastoral.

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