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O presidente dos EUA, Joe Biden, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, durante encontro em Carbis Bay, 10 de junho
O presidente dos EUA, Joe Biden, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, durante encontro em Carbis Bay, 10 de junho| Foto:

Joe Biden deu início à sua primeira viagem internacional como presidente dos Estados Unidos. Ao chegar à Europa na quarta-feira, antes da cúpula dos países do G7, Biden disse a tropas americanas que planejava tratar de assuntos espinhosos com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

"Estou a caminho do G7, e depois para a Otan, e depois ao encontro de Putin para dizer a ele o que ele precisa saber", disse o presidente americano em Suffolk, na Inglaterra.

Biden e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante a primeira reunião pessoal entre os dois nesta quinta-feira (10), delinearam uma visão para as relações entre Estados Unidos e Reino Unido. No encontro em Carbis Bay, Inglaterra, os dois líderes falaram sobre o combate à influência de Estados autocráticos.

Os líderes concordaram em um documento abrangente que traça um caminho a partir de uma pandemia que matou milhões, enquanto o vírus continua se espalhando em algumas partes do mundo. O texto defende investimentos em ciência e tecnologia, esforços renovados para lidar com as mudanças climáticas e melhores defesas contra ameaças globais à saúde.

O documento de duas páginas - apelidado de "Carta do Atlântico", em referência à declaração conjunta feita pelo então primeiro-ministro Winston Churchill e o presidente Franklin D. Roosevelt em 1941, quando eles estabeleceram sua abordagem para um mundo pós-Segunda Guerra Mundial - inclui poucos compromissos de política específicos. Em vez disso, estabelece princípios gerais para os países.

"Devemos garantir que as democracias - começando com a nossa - possam resolver os desafios críticos de nosso tempo", declara a carta. "Vamos defender a transparência, defender o estado de direito e apoiar a sociedade civil e a mídia independente".

O documento não menciona a Rússia ou a China, mas autoridades americanas disseram que a rivalidade com os dois países foi fundamental para o esforço de Biden de construir uma coalizão informal de nações democráticas para resistir a ameaças, desde as tentativas russas de interferir nas eleições americanas ao expansionismo chinês.

"Pretendemos fortalecer as instituições, leis e normas que sustentam a cooperação internacional para adaptá-las para enfrentar os novos desafios do século XXI e proteger contra aqueles que possam miná-los", diz a carta, acrescentando que os EUA e o Reino Unido "opõem-se à interferência por meio de desinformação ou outras influências malignas, inclusive nas eleições".

Os países também criaram uma força-tarefa com o objetivo de reabrir a rota de viagens EUA-Reino Unido, embora o cronograma exato para fazê-lo não tenha sido estabelecido. Eles devem divulgar uma declaração conjunta separada, abordando questões como energia, ciência e saúde, incluindo um novo diálogo entre os EUA e o Reino Unido liderado pelo Departamento de Energia, de acordo com um funcionário dos EUA.

Doações de vacinas

Nesta quinta-feira, Biden anunciou que os Estados Unidos não pedirão nada em troca pelas vacinas contra a Covid-19 que doarão a outros países.

Em declarações à imprensa que o acompanha na cúpula do G7 em Cornwall, no Reino Unido, Biden anunciou formalmente a compra e a doação por parte dos EUA de 500 milhões de vacinas da Pfizer. Os imunizantes serão entregues a países de baixa renda.

"Nossas doações de vacinas não incluem pressões por favores", disse o mandatário, ao acrescentar que os EUA estão tomando a iniciativa para salvar vidas e "para acabar isto (a pandemia)".

O mandatário comentou que o governo americano adotou a medida porque é "sua responsabilidade" e tem "a obrigação humanitária' de salvar todas as vidas que puder.

Biden enfatizou que, enquanto a pandemia continuar, ainda haverá o risco de surgirem novas mutações do coronavírus Sars-CoV-2, e lembrou o impacto dos contágios no crescimento da economia global, no aumento da instabilidade e no enfraquecimento dos governos.

"Os EUA querem ser o arsenal de vacinas no combate à Covid-19, como quando foi o arsenal da democracia durante a 2ª Guerra Mundial", declarou. De acordo com Biden, esta é a maior compra individual e também a maior doação de vacinas de Covid-19 já feita por um país.

Os Estados Unidos começarão a enviar as doses em agosto, para que 200 milhões sejam entregues até o final do ano e o resto no primeiro semestre de 2022.

As vacinas serão distribuídas através do consórcio Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS). A Pfizer produzirá as doses em várias de suas fábricas nos EUA, como as de Kalamazoo (Michigan), MacPherson (Kansas), Chesterfield (Misuri) e Andover (Massachusetts).

Provocações da Rússia

Também nesta quinta-feira, a Rússia limitou oficialmente viagens de diplomatas americanos por seu território ao revogar o "Memorando de entendimento entre os governos da Rússia e dos Estados Unidos sobre 'terreno aberto'", uma medida anunciada em meados de abril como resposta a "ações hostis" de Washington.

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, assinou o decreto, publicado hoje no portal de informações jurídicas do governo, em cumprimento a uma proposta de medidas restritivas à legação diplomática americana formulada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

A Rússia respondeu assim às sanções impostas em 15 de abril pelo governo de Joe Biden, que incluíam a declaração de dez diplomatas russos como persona non grata, além de medidas contra funcionários russos, organizações e empresas por atos espionagem cibernética, interferência nas eleições em 2020 e o papel da Rússia na crise da Ucrânia.

Moscou pagou na mesma moeda expulsando dez diplomatas, apresentando uma lista negra de funcionários americanos e anunciando o processo de denúncia do acordo revogado hoje, que regulamenta a mobilidade dos diplomatas em seus destinos para restringir seus movimentos fora de Moscou.

Ao anunciar a lista de sanções, a pasta de Exteriores russa acusou os EUA de apostarem em "uma degradação contínua das relações" e em uma política de "contenção de Moscou", e alertou que tentar falar com a Rússia "de uma posição de força" resultará em "consequências terríveis".

De fato, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, advertiu que, se a atual "troca de cortesias" continuar, Moscou vai pedir a Washington que reduza o número de seus diplomatas em território russo dos atuais 450 para 300, em paridade com a presença russa nos EUA.

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