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Brics defendem reforma de conselho da ONU

Documento final do encontro de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul diz que as Nações Unidas devem ser mais representativa

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev; da China, Hu Jintao; do Brasil, Dilma Roussef, e da África do Sul, Jacob Zuma, durante encontro em Sanya, na China | Governo da Índia/Reuters
O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev; da China, Hu Jintao; do Brasil, Dilma Roussef, e da África do Sul, Jacob Zuma, durante encontro em Sanya, na China (Foto: Governo da Índia/Reuters)

A declaração final do encontro entre chefes de governo dos Brics, divulgada ontem, defende enfaticamente a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Naç ões Unidas (ONU). Foi a primeira vez que o tema apareceu em comunicado do bloco, que se reuniu na China. Os documentos anteriores falavam de maneira genérica de reforma da ONU, sem fazer referência ao Conselho.

A mudança ocorreu por pressão da delegação brasileira, que enfatizou a necessidade de avanços na linguagem em relação à úl­­tima declaração, divulgada no Bra­­sil no ano passado. "A reforma da ONU e de seu Conselho de Se­­gu­­rança são essenciais. Não é possível que, ao iniciarmos a segunda metade do século 21, nós ainda es­­tejamos atrelados a formas institucionais erguidas no pós-guerra", afirmou a presidente brasileira, Dilma Rousseff, em sua estreia em grandes fóruns internacionais e provavelmente querendo se re­­ferir à 2.ª década do século 21.

O ministro das Relações Exte­­riores, Antonio Patriota, classificou de "eloquente" o texto da de­­claração no ponto relativo à reforma do Conselho de Segurança. O documento afirma que a instituição deve ser mais "efetiva, eficiente e representativa".

Na frase seguinte, acrescenta: "China e Rússia reiteram a im­­por­­tância que dão ao status da Ín­­­­dia, Brasil e África do Sul nas questões internacionais e entendem e apoiam suas aspirações pa­­ra desempenhar papel mais relevante na ONU".

A menção ao Conselho de Se­­gurança também apareceu pela primeira vez no comunicado conjunto que Dilma e o presidente chinês, Hu Jintao, divulgaram de­­pois de se reunir em Pequim na última terça-feira.

A declaração de ontem ressalta que os cinco integrantes dos Brics fazem parte atualmente do Con­­selho de Segurança da ONU – China e Rússia como membros permanentes e Brasil, Índia e África do Sul por período limitado. Segundo a declaração, essa é uma "oportunidade valiosa para trabalharmos juntos nos temas da paz e da segurança, de reforçar concepções multilaterais e facilitar a coordenação futura de temas sob a consideração do Conselho de Segurança da ONU".

De novo, a inclusão do trecho foi resultado de uma iniciativa do Brasil. Diplomata envolvido nas negociações do documento disse que o objetivo era reforçar a proximidade de posições entre os países e ressaltar a possibilidade de cooperação futura, na hipótese de ampliação do Conselho.

Além de China e Rússia, os ou­­tros três membros permanentes – e com poder de veto – são Es­­tados Unidos, Inglaterra e França. Os defensores da ampliação afirmam que a composição definida depois da 2.ª Guerra Mundial não reflete mais a correlação de forças do mundo atual. Em especial, sustentam que há um déficit de re­­presentação dos países em desenvolvimento.

Patriota acredita que há uma "mudança de ambiente" e uma "aceleração do processo de discussão" desse tema. "O assunto não desaparecerá da agenda internacional e ganhará relevo cada vez maior. É inevitável que a reforma do Conselho ocorra em algum momento."

O ministro ressaltou que o eventual processo de reforma da ONU será "complexo", com necessidade de aprovação da Assem­­bleia Geral e ratificação pelos Congressos de todos os países, além do aval dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

Na declaração à imprensa, Dilma defendeu de maneira enfática o multilateralismo e disse que a agenda dos Brics não se define por oposição a nenhuma outra agenda. "Estamos engajados na criação de uma ordem multipolar, sem hegemonia nem disputas por áreas de influência."

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