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Céu de Setembro

Brilho máximo de Vênus acontece nesta sexta e deixa planeta ainda mais visível no céu

Vênus nem seu brilho máximo, que vai acontecer na sexta-feira (18).
Vênus não precisa de telescópio para ser visto, mas a ampliação revela detalhes que os olhos não alcançam. (Foto: Wikimedia Commons )

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Vênus chega nesta sexta-feira (18) ao ponto de maior brilho de sua atual aparição no céu do entardecer. O planeta, que já é um dos objetos mais luminosos vistos da Terra, poderá ser facilmente identificado a olho nu pouco depois do pôr do Sol. Para quem estiver em um local com o horizonte oeste livre de obstáculos, o espetáculo poderá ser acompanhado sem a necessidade de telescópio ou binóculo.

O brilho máximo de Vênus está relacionado principalmente a uma combinação entre a distância do planeta em relação à Terra e a parcela de sua superfície que está iluminada pelo Sol e voltada para nós.

Segundo Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência Newton Freire Maia e professor de Astronomia na rede estadual do Paraná, os dois fatores se combinam neste momento para fazer com que Vênus se destaque ainda mais no céu.

“O brilho de Vênus vai depender de dois parâmetros que se juntam. O primeiro deles tem a ver com a proximidade de Vênus do planeta Terra. Quanto mais perto ele estiver da gente, mais brilhante vai ficar”, explica.

O professor compara a situação ao que ocorre com a Lua quando ela está cheia e mais próxima da Terra, mas destaca que, no caso de Vênus, é preciso considerar também a fase do planeta. Como sua órbita fica dentro da órbita terrestre, Vênus apresenta diferentes fases quando observado daqui, assim como a Lua.

Por que Vênus fica tão brilhante?

Vênus é o segundo planeta a partir do Sol e possui uma órbita interna à da Terra. Dependendo de sua posição em relação ao Sol e à Terra, portanto, vemos uma parcela maior ou menor de sua face iluminada.

O máximo de brilho não acontece simplesmente quando todo o lado voltado para a Terra está iluminado. Há uma combinação entre o tamanho aparente do planeta no céu, determinado pela distância, e a quantidade de sua superfície iluminada que conseguimos enxergar.

“Nessa situação do dia 18 de setembro, Vênus terá esses dois parâmetros fazendo com que fique muito brilhante: ele estará mais perto da gente e uma porção maior do disco de Vênus estará iluminada. Isso nos dá quase o recorde de brilho de Vênus”, afirma Lasievicz.

Em um telescópio, essa configuração poderá ser percebida de maneira diferente do que a olho nu. Vênus aparecerá como um pequeno disco parcialmente iluminado, em uma fase semelhante à de uma Lua minguante. O uso de equipamentos, porém, não é necessário para apreciar o fenômeno.

A previsão é de que o planeta chegue a aproximadamente magnitude -4,8. Na escala utilizada pela Astronomia, quanto menor e mais negativo o número, maior é o brilho aparente do objeto.

“A magnitude é a forma com que a astronomia mede o brilho das coisas: o brilho do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas. E esse número funciona da seguinte forma: quanto mais negativo, ou seja, quanto menor, mais brilhante o objeto é aos nossos olhos”, explica o professor.

Para efeito de comparação, o Sol tem magnitude aparente próxima de -26 e a Lua cheia fica na ordem de -12. Com magnitude próxima de -4,8, Vênus estará muito abaixo desses dois objetos, mas terá brilho superior ao das estrelas e dos demais planetas visíveis no céu.

Qual a melhor hora para observar o brilho máximo de Vênus?

Para acompanhar o brilho máximo de Vênus, não será preciso esperar o céu ficar completamente escuro. O planeta estará visível logo no início da noite, nos minutos seguintes ao pôr do Sol.

“Nos primeiros minutos após o pôr do sol, a gente já vai conseguir localizar um pontinho brilhante no lado oeste, que é o lado do pôr do sol. Então é muito tranquilo: basta olhar para o lado do pôr do sol bem no comecinho da noite”, orienta Lasievicz.

Por volta das 18h ou 18h30, Vênus já deverá estar bastante destacado no céu. O planeta continuará visível até seu ocaso, previsto aproximadamente entre 20h30 e 21h, conforme a localização do observador.

A combinação entre a distância da Terra e a porção iluminada do planeta determina o brilho aparente de Vênus.A combinação entre a distância da Terra e a porção iluminada do planeta determina o brilho aparente de Vênus. (Foto: Divulgação/NASA)

A principal orientação é procurar um ponto com o horizonte oeste livre de prédios, árvores ou outros obstáculos. A poluição luminosa pode prejudicar a observação de outros astros, mas não deve impedir a identificação de Vênus.

“Vênus vai poder ser contemplado de qualquer cidade, de qualquer lugar do país. Qualquer cidade do país vai poder observar o fenômeno”, ressalta o professor.

Em locais mais afastados dos grandes centros urbanos, o céu tende a oferecer melhores condições para observar também outros objetos celestes. Nesta época, a Lua estará em fase crescente, enquanto constelações como Escorpião e Cruzeiro do Sul poderão compor a paisagem.

O que acontece depois do brilho máximo de Vênus?

O brilho máximo de Vênus não significa que o planeta deixará de ser facilmente visível imediatamente depois desta sexta-feira. Ele continuará bastante luminoso durante vários dias e poderá ser observado ao longo de setembro e até meados de outubro, enquanto vai descendo progressivamente em direção ao horizonte oeste.

“A gente vai ter um ápice desse brilho agora, no final do dia 18. Mas Vênus vai continuar ainda muito brilhante durante vários dias no céu”, explica Lasievicz.

Depois, Vênus deixará de ser observado no entardecer e voltará a aparecer no céu da manhã, no lado leste, antes do nascer do Sol. Um novo período de brilho máximo ocorrerá a partir de 29 de novembro, mas em uma configuração diferente, com o planeta visível nas primeiras horas da manhã.

O ciclo não significa que o fenômeno seja raro. Vênus passa por períodos de maior e menor brilho ao longo de suas aparições, conforme mudam sua distância em relação à Terra e a fração iluminada de seu disco voltada para nós.

“Todos os anos Vênus atinge um brilho máximo naquele ano, digamos assim”, afirma o professor. No entanto, a intensidade desses picos varia. “Esse brilho que nós vamos ter agora, no dia 18, é um valor de brilho que Vênus só vai atingir novamente daqui a dois anos, em abril de 2028.”

Para quem quiser acompanhar o brilho máximo de Vênus, a recomendação é simples: na sexta-feira, depois que o Sol se pôr, procure um local com visão desimpedida para o oeste. Sem equipamentos especiais, será possível observar um dos pontos mais luminosos do céu e acompanhar mais uma etapa do ciclo de aparições do planeta.

Como diferenciar Vênus de uma estrela?

Uma das formas mais simples de reconhecer Vênus é observar a intensidade e a estabilidade de seu brilho. O planeta aparecerá como um ponto extremamente luminoso e, normalmente, não ficará cintilando como as estrelas.

As estrelas parecem piscar por causa da forma como sua luz atravessa a atmosfera terrestre. Como estão a distâncias enormes, chegam aos nossos olhos como fontes de luz pontuais, e as turbulências atmosféricas provocam as variações aparentes de brilho.

No caso dos planetas, a luz observada é refletida pelo Sol. Como eles estão muito mais próximos, seus discos aparentes são maiores e a luz sofre menos os efeitos que produzem a cintilação.

“Quando você olha para uma estrela, ela costuma cintilar, costuma ficar piscando. Na verdade, não é que ela pisque. Ela emite luz, essa luz viaja uma distância absurda, enorme, pelo espaço, perde energia nesse processo e, quando atravessa as diferentes camadas da atmosfera, sofre desvios”, detalha Lasievicz.

Por isso, um ponto muito brilhante que permanece estável no céu pode ser um planeta. No caso de Vênus, a identificação será ainda mais fácil pela intensidade. Ele será o ponto mais destacado na região oeste do céu no começo da noite.

A aparência de Vênus muda conforme sua posição em relação ao Sol e à Terra, criando diferentes fases.A aparência de Vênus muda conforme sua posição em relação ao Sol e à Terra, criando diferentes fases. (Foto: Wikimedia Commons)

O planeta é conhecido popularmente como Estrela Vésper quando aparece no céu do entardecer e Estrela Dalva quando pode ser visto antes do nascer do Sol, embora não seja uma estrela.

“Vênus sempre aparece logo depois que o Sol se põe, no lado oeste, ou um pouquinho antes do Sol nascer, no lado leste, nas primeiras horas da manhã”, conta o professor. A denominação histórica surgiu justamente porque, durante muito tempo, os observadores acreditavam estar diante de uma estrela.

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