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O senador Iván Cepeda, candidato derrotado nas eleições presidenciais da Colômbia, afirmou que recorrerá à "desobediência civil" para se opor ao presidente eleito, Abelardo de la Espriella, por considerar que o processo eleitoral foi marcado por irregularidades. Em entrevista ao jornal Folha de SP, Cepeda, do Pacto Histórico, coalizão política colombiana de esquerda e centro-esquerda que evoluiu para um partido unificado sob a liderança de Gustavo Petro, declarou que a principal preocupação envolve a dupla cidadania de Espriella, que também é cidadão dos Estados Unidos.
"Ele é cidadão norte-americano e colombiano. No juramento feito para obter a cidadania dos EUA é preciso se comprometer a colocar a Constituição norte-americana acima de qualquer outro interesse", afirmou. "Isso significa que Espriella já enfrenta graves obstáculos para ser um presidente que defenda nossa soberania nacional. Por isso, afirmamos que vamos recorrer à desobediência civil."
Na semana passada, o senador já havia exigido que o presidente eleito renunciasse à nacionalidade americana e esclarecesse se já havia trabalhado para agências de inteligência dos Estados Unidos, hipótese para a qual não apresentou comprovação.
Cepeda também contestou aspectos da apuração eleitoral. Segundo ele, houve uma divergência de aproximadamente 800 mil votos na contagem divulgada no dia da eleição. Apesar disso, afirmou reconhecer o resultado oficial.
"Apesar de todas as dúvidas que temos, que são dúvidas absolutamente razoáveis, reconhecemos os resultados com grandeza democrática, apesar de a diferença ser tão pequena. Portanto, esse não é o nosso caso. Nós não colocamos em dúvida o resultado eleitoral." Ainda assim, manteve os questionamentos sobre a situação de Espriella, candidato da direita.
"O que estamos colocando em dúvida é que o presidente da Colômbia pode ser um presidente que, em determinadas ocasiões, respeite a Constituição colombiana e, em outras, respeite a Constituição de outro país."
Espriella venceu Cepeda por cerca de 250 mil votos, na disputa considerada uma das mais apertadas da história recente da Colômbia. A eleição marcou o fim do primeiro governo de esquerda do país, liderado por Gustavo Petro, principal padrinho político de Cepeda.
"Interferência dos Estados Unidos"
Durante a entrevista, o senador também atribuiu sua derrota à atuação do governo dos Estados Unidos e ao apoio do presidente Donald Trump ao candidato vencedor. Segundo ele, que não apresentou provas das alegações, houve "uma imensa máquina, com múltiplos métodos sujos" contra sua candidatura e a de Gustavo Petro, além de "interferência absolutamente direta, descarada e sem vergonha do governo dos EUA".
"É o tipo de eleição que está acontecendo na América Latina. Em toda parte, as eleições estão sendo objeto de ingerência. No nosso caso, houve uma intervenção reconhecida", declarou.
Cepeda afirmou ainda que Espriella representa setores da "extrema-direita" apoiados "financeira, política e geoestrategicamente" a partir de Miami e dos Estados Unidos, e criticou declarações atribuídas ao presidente eleito. "Espriella quer extraditar o presidente Gustavo Petro para os EUA. Disse que um de seus propósitos era 'estripar' a esquerda na Colômbia. Nós nunca dissemos isso sobre a direita, nem sobre a extrema-direita", afirmou.
Apesar das acusações, Cepeda reiterou que sua contestação não busca anular o resultado das urnas, mas questionar a capacidade do presidente eleito de exercer o cargo diante da dupla nacionalidade e das suspeitas levantadas por sua campanha.
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