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Os dois candidatos na disputada corrida presidencial do Peru trocaram farpas em um acalorado debate na TV a uma semana da eleição, cada um tentando pintar o outro como ruim para a democracia.

A parlamentar de direita Keiko Fujimori disse pensar que o esquerdista Ollanta Humala fará mudanças radicais que poderiam prejudicar a economia em rápido crescimento, ou revisar a Constituição para poder concorrer à reeleição.

"Por que mudar a Constituição? Por que revisar pactos de comércio? Qual dos planos de campanha o comandante Humala usará? Estas idas e voltas geram muita instabilidade", disse Fujimori no primeiro e único debate televisivo na noite de domingo.

De sua parte, o ex-oficial do Exército Humala ligou Fujimori ao governo de seu pai, que desmoronou em meio à corrupção e aos escândalos sobre violações dos direitos humanos em 2000 após uma repressão dura à guerrilhas. Mais tarde o ex-presidente Alberto Fujimori foi sentenciado a 25 anos de prisão.

"Violações de direitos humanos, a perseguição da oposição, tráfico de armas ilícitas --este é o regime que deseja se reinstalar no poder", disse Humala.

O debate de domingo refletiu uma corrida que vem se tornado cada vez mais acalorada e baseada em ataques pessoais.

Três pesquisas divulgadas no mesmo dia mostraram a filha de Fujimori liderando por uma curta margem variando entre 1 e 4,6 pontos antes da votação de 5 de junho.

Fujimori, de 36 anos, serviu como primeira-dama do Peru nos anos 1990 depois que seus pais se separaram. Credita-se a seu pai a abertura da economia ao comércio e o controle da hiperinflação, mas seu poderoso chefe de inteligência, Vladimiro Montesinos, foi preso depois de ser condenado por tráfico de armas, entre outras acusações.

Para seduzir os centristas, Humala, de 48 anos, tentou com sucesso limitado se distanciar de seu ex-mentor político, o presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez, e se reapresentar como um moderado nos moldes do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Humala, que outrora liderou uma insurreição para exigir a renúncia de Fujimori pai, prometeu administrar o crescimento econômico com prudência, embora os críticos temam que ele reverta anos de reformas de livre mercado.

A moeda peruano, o sol, e as ações despencaram depois que Humala venceu o primeiro turno em 10 de abril, já que os investidores receiam que ele intervenha na economia e prejudique o investimento privado. Os preços dos ativos financeiros se recuperaram à medida que Fujimori subiu nas pesquisas.

Humala revisou seu plano de governo para torná-lo mais atraente para os investidores, descartando um polêmico aumento de impostos e uma proposta para assumir fundos privados de pensão.

O ex-militar também disse que respeitará acordos internacionais e só servirá por um mandato.

Uma pesquisa Ipsos de domingo mostrou Fujimori com 50,5 por cento dos votos, enquanto Humala teria 49,5 por cento quando votos nulos e brancos foram excluídos da simulação.

Em outra votação simulada da CPI, Fujimori teve 51,8 por cento e Humala somou 48,2 por cento. Fujimori teve uma vantagem maior na pesquisa da Datum, obtendo 52,3 por cento dos votos em comparação aos 47,7 por cento de Humala.

A Ipsos e a CPI alertaram que os dois estão tecnicamente empatados, dada a margem de erro, embora a Datum afirme que Fujimori está claramente à frente.

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