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Um acordo de cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, entrou em vigor nesta terça-feira (27) na cidade ucraniana de Oleshky, ocupada por tropas russas desde 2022. A trégua foi acertada entre Moscou e Kiev para permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de civis que permanecem na cidade, localizada na região de Kherson, no sul da Ucrânia.
Segundo a agência Associated Press (AP), a suspensão dos combates começou às 3h da madrugada, pelo horário local, dois dias antes do previsto inicialmente. Autoridades dos dois países confirmaram o início da trégua. Até o fim da tarde desta terça-feira, não haviam sido registradas violações do acordo, segundo o comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets.
A primeira-dama americana anunciou também que o cessar-fogo foi ampliado para outras áreas da região de Kherson, com o objetivo de garantir a passagem de comboios humanitários que levarão alimentos, água e medicamentos aos moradores de Oleshky.
"O cronograma foi antecipado em dois dias para proteger a segurança dos civis e facilitar a entrega de ajuda humanitária essencial", afirmou Melania em uma publicação na rede social X.
O acordo foi anunciado pela Casa Branca na sexta-feira (23), após negociações conduzidas pela primeira-dama e por representantes dos governos russo e ucraniano. A previsão é que a trégua dure até a noite de domingo (1º de novembro), segundo o parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia, integrante da equipe de negociações de paz.
Melania participou diretamente das negociações
Em comunicado divulgado na semana passada, a Casa Branca informou que Melania iniciou as conversas sobre Oleshky após tomar conhecimento da situação dos moradores durante um evento realizado em Nova York, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro.
A primeira-dama e um representante de sua equipe utilizaram os canais diplomáticos que haviam sido estabelecidos anteriormente para negociar a reunificação de crianças ucranianas e russas separadas durante a guerra.
"A situação em Oleshky é desesperadora. Oleshky é uma cidade na linha de frente da guerra, à beira do desastre", declarou Melania na ocasião.
Segundo ela, a população que ainda permanece na cidade é formada principalmente por idosos, que enfrentam dificuldades para obter alimentos, medicamentos e água potável. As estradas também estão tomadas por minas terrestres, o que impede a circulação segura dos moradores.
"Os moradores de Oleshky têm acesso limitado à eletricidade, vivem em meio a estradas minadas e sofrem ataques militares frequentes", acrescentou.
O governo americano estima que entre 1.700 e 2 mil pessoas ainda vivem em Oleshky, incluindo aproximadamente 50 crianças. Antes da invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022, a cidade tinha cerca de 24 mil habitantes.
O acordo prevê que representantes civis russos e ucranianos visitem as residências para identificar as necessidades da população. Os moradores que desejarem sair poderão escolher se querem ser transportados para áreas controladas pela Ucrânia ou para a Rússia.
Papa Leão XIV também pediu trégua humanitária
O papa Leão XIV participou de esforços diplomáticos paralelos para permitir a entrada de ajuda humanitária em Oleshky. Segundo o Vaticano, o pontífice conversou por telefone com o ditador Vladimir Putin, no último dia 16, e com o presidente Volodymyr Zelensky, três dias depois.
Nas duas conversas, Leão XIV pediu uma suspensão dos combates para garantir o fornecimento de alimentos e medicamentos, além da retirada voluntária e segura dos civis.
Apesar do acordo em Kherson, os combates continuam em outras regiões da Ucrânia. Nesta terça-feira, ataques russos com mísseis balísticos atingiram Kiev, deixando pelo menos um morto e 12 feridos, segundo autoridades ucranianas.
A trégua em Oleshky ocorre em meio à preparação de uma nova rodada de negociações entre representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos, prevista para novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.







