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O regime chinês apoiou nesta quarta-feira (19) a Rússia em suas críticas ao Japão em meio a uma disputa entre os países sobre as Ilhas Curilas; Pequim ainda voltou a atacar a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, acusando-a de tentar "acelerar a remilitarização" do arquipélago.
Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que Pequim "concorda" com as recentes declarações do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que criticou a reação de Tóquio à visita do ditador russo, Vladimir Putin, às Ilhas Curilas e apelou para a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Lin acusou Takaichi de se recusar a refletir sobre o passado militarista do Japão e de tentar "encobrir a invasão japonesa da China", "abandonar o pacifismo" e contornar as restrições impostas pela Constituição japonesa e pela comunidade internacional.
Pequim também endossou a referência de Lavrov às chamadas cláusulas de "estados inimigos" consagradas na Carta da ONU após a Segunda Guerra Mundial, argumentando que a lembrança dessas disposições ajuda a preservar os resultados do conflito e a ordem internacional do pós-guerra. Essas declarações surgem após a visita de Putin a Iturup na última quinta-feira, a maior das quatro ilhas Curilas do Sul reivindicadas pelo Japão, que as denomina Territórios do Norte — uma viagem que Takaichi descreveu como "absolutamente inaceitável".
Tóquio apresentou um protesto formal a Moscou, enquanto a Rússia convocou o embaixador japonês e o informou, nesta terça-feira, que considera sua soberania sobre as ilhas, incorporadas à antiga União Soviética ao final da Segunda Guerra Mundial, "inviolável".
Essa nova controvérsia coincide com um período de tensões elevadas entre China e Japão, desde que Takaichi declarou, no final do ano passado, que um potencial ataque chinês a Taiwan poderia justificar uma intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.
Os países também mantêm sua própria disputa territorial sobre as Ilhas Senkaku, administradas por Tóquio e reivindicadas por Pequim, em cujas águas a Guarda Costeira chinesa realizou mais uma patrulha na última sexta-feira.
Pequim e Moscou, por sua vez, intensificaram sua cooperação política e militar nos últimos anos e, em julho, concluíram uma patrulha naval conjunta no Pacífico Ocidental, no Mar de Okhotsk e no Mar do Japão.




