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Presidente americano não chamou China e Rússia para o evento e irritou Pequim com convite a Taiwan
Presidente americano não chamou China e Rússia para o evento e irritou Pequim com convite a Taiwan| Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO

Na próxima semana, nos dias 9 e 10, os Estados Unidos realizarão uma cúpula virtual sobre democracia, que deverá ter a participação de representantes de 110 governos. China e Rússia, que não foram convidadas para o evento, manifestaram irritação com o encontro, o que motivou reação da administração do presidente Joe Biden.

Pequim, que se enervou especialmente com a inclusão de Taiwan (que reivindica ser parte do seu território) no evento, pretende divulgar neste sábado (4) um informe chamado “China: Democracia que funciona”, na qual deve alegar que seu sistema político é superior ao das democracias ocidentais.

Nesta semana, o vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Le Yucheng, fez um pronunciamento em que criticou o encontro convocado por Biden. “Um certo país está organizando a chamada cúpula da democracia como um autodenominado líder da democracia. Ele divide os países em diferentes níveis de hierarquia, rotula-os como democráticos ou não democráticos e aponta o dedo para os sistemas democráticos de outros países”, afirmou.

“Afirma que está fazendo isso pela democracia. Mas isso é na verdade o oposto da democracia. Isso não fará nenhum bem à solidariedade e cooperação globais, nem promoverá o desenvolvimento global”, argumentou o vice-ministro.

Na Rússia, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, divulgou um comunicado em que também condenou a cúpula da democracia.

“Os organizadores e entusiastas por trás deste estranho evento afirmam ser os líderes mundiais no avanço da causa da democracia e dos direitos humanos. No entanto, o histórico e a reputação dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e dos estados membros da União Europeia em termos de respeito aos direitos e liberdades democráticas em casa, bem como na arena internacional, estão, para dizer o mínimo, longe do ideal”, alegou.

“As evidências sugerem que os Estados Unidos e seus aliados não podem e não devem reivindicar a condição de ‘faróis’ da democracia, uma vez que eles próprios têm problemas crônicos de liberdade de expressão, administração eleitoral, corrupção e direitos humanos”, acrescentou Lavrov, que argumentou que a mídia ocidental é controlada por “elites partidárias e corporativas” e que censura e remoção de contas e conteúdo de redes sociais são armas utilizadas pelo Ocidente “para suprimir a dissidência”.

Na quinta-feira (2), a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, foi questionada sobre o assunto. “Bem, nosso objetivo com a cúpula é reunir 110 governos, representando diversas experiências democráticas em todo o mundo, bem como líderes da sociedade civil e do setor privado, para discutir como podemos trabalhar juntos para proteger a democracia em todo o mundo. Não vamos nos desculpar por isso, não importa qual seja a crítica de qualquer país do mundo”, alfinetou.

Em entrevista à Associated Press, Bonnie Glaser, especialista em China e diretora do Programa Ásia do German Marshall Fund, concordou com a percepção de chineses e russos de que a cúpula da democracia de Biden é uma resposta ao modelo autocrático desses países – as críticas a Pequim, que tem subido o tom das ameaças contra Taiwan e outros vizinhos, e a Moscou, que concentra tropas na fronteira com a Ucrânia, são constantes desde o início do mandato do atual presidente americano.

“O Partido Comunista Chinês provavelmente se sente ameaçado pela narrativa de democracia feita por Biden e se sente compelido a reafirmar que coloca o povo em primeiro lugar. É claro que o povo vem depois do partido e da preservação de seu papel, mas isso não é dito”, destacou.

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