Publicidade
Repressão

China endurece as proibições de saída de seus cidadãos com novo regulamento

Ditadura comunista da China alegou preocupações com “segurança nacional” para impor regras que entram em vigor em setembro (Foto: ANDRES MARTINEZ CASARES/EFE/EPA)

Ouça este conteúdo

A China vai aplicar a partir de 15 de setembro um novo regulamento que permite proibir a saída do país de cidadãos envolvidos em atividades consideradas pela ditadura comunista “nocivas para a segurança nacional”.

De acordo com informações da agência EFE, a normativa, promulgada pelo Conselho de Estado na última sexta-feira (31), tem 19 artigos e visa, segundo o regime chinês, “regular a administração de saída e entrada” e “salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento” do país.

O artigo 4 da norma prevê três motivos para impedir a saída de um cidadão chinês. Os dois primeiros preveem uma proibição de entre seis meses e três anos por ter sido sancionado por fraude documental ou por entrar ou sair do país de forma ilegal, e por ter realizado no exterior atos que a China considere uma “ameaça” à sua segurança nacional.

A terceira hipótese se aplica àqueles que tenham infringido as normas de controle de exportações ou de importação e exportação de tecnologia, um caso para o qual o regulamento não fixa nenhum limite de tempo para a proibição.

Por sua vez, o artigo 5 endurece o controle de entrada de estrangeiros e prevê proibições de entrada de entre um e cinco anos para quem apresentar documentos falsos ao solicitar acesso ao país, tiver cometido fraude migratória ou tiver sido sancionado por obstar o controle fronteiriço, além de permitir negar visto ou entrada a quem figurar em listas de contramedidas.

O artigo 6 obriga a notificar as pessoas proibidas de sair, embora isente desse trâmite os casos que possam afetar a segurança nacional ou investigações criminais em andamento.

A promulgação da nova norma ocorreu poucas semanas após ter entrado em vigor na China a chamada Lei da Promoção da Unidade Étnica e do Progresso.

A norma proíbe atos que “minem a unidade étnica ou criem divisões étnicas” no país, regra que causa receio devido ao já vasto histórico de perseguição da ditadura comunista chinesa a minorias como os uigures da região de Xinjiang e os tibetanos.

A publicação do regulamento sobre saída do país despertou críticas entre organizações de direitos humanos, entre elas a Human Rights in China (HRIC), que nesta quarta-feira (5) foi incluída por Pequim em sua lista de entidades sancionadas por, segundo as autoridades chinesas, apoiar as restrições americanas relacionadas a trabalho forçado em Xinjiang.

Em post no X, a ONG americana Freedom House criticou a nova norma chinesa. “O governo chinês aprovou recentemente uma norma que permite a Pequim intensificar o uso de proibições de saída do país contra indivíduos, com base em alegações excessivamente amplas de ‘segurança nacional’”, afirmou a ONG.

A Freedom House relatou ter identificado pelo menos 55 autores de repressão transnacional — incluindo a China — que “restringem a mobilidade de dissidentes [no exterior] para silenciá-los e puni-los, bem como a seus familiares”.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.