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Quantidade de fogos de artifício na festa dos 60 anos foi o dobro da utilizada na abertura dos jogos olímpicos de Pequim | Reuters
Quantidade de fogos de artifício na festa dos 60 anos foi o dobro da utilizada na abertura dos jogos olímpicos de Pequim| Foto: Reuters
  • Parada militar durante os festejos dos 60 anos

A festa de 60 anos da China comunista terminou na noite desta quinta-feira (01) com um apoteótico show, que incluiu a surpreendente participação dos engravatados dirigentes máximos do país em um dos números de dança. As celebrações ocorreram sob céu azul e lua quase cheia, depois de dois dias encobertos e com neblina. O tempo extraordinariamente bom foi em parte resultado dos responsáveis pela meteorologia de Pequim, que determinaram o bombardeamento com produtos químicos das nuvens que estavam carregadas. Com isso, choveu na madrugada, mas quando o dia amanheceu o céu já estava limpo.

O presidente Hu Jintao, seu antecessor, Jiang Zemin, o primeiro-ministro Wen Jiabao e outros sete integrantes do comitê permanente do Politburo desceram do palanque montado no portão de entrada da Cidade Proibida e foram cercados por círculos concêntricos criados pelos participantes da performance. No centro, deram as mãos a artistas para formar uma roda, executaram passos desajeitados e cantaram.

Responsável pela abertura da Olimpíada de Pequim, o cineasta Zhang Yimou realizou um espetáculo marcado pela euforia e pelo orgulho nacional. A imensa Praça da Paz Celestial foi ocupada por 100 mil pessoas, entre dançarinos, cantores, soldados, estudantes e voluntários.

O centro da performance era o enorme mastro com a bandeira da China que fica no norte da praça. Ao redor dela foi criado um imenso quadrado luminoso, com pessoas que carregavam pequenas "árvores" com lâmpadas nas pontas dos galhos. As luzes e painéis carregados pelos artistas mudavam de cor constantemente e acompanhavam o show de gala executado pelos músicos.

Entre o quadrado luminoso e o palanque das autoridades, dançarinos realizavam coreografias embalados por alguns dos mais famosos músicos chineses, entre os quais a cantora Peng Liyuan, major-general do Exército de Libertação Popular e mulher de Xi Jinping, o homem que deverá suceder a Hu Jintao em 2012.

No restante da praça, estudantes, soldados e voluntários cantavam e dançavam, agitando nas mãos bandeiras coloridas ou bastões luminosos. Cada vez que um grupo era flagrado pelas câmeras de TV, uma entusiasmada multidão se formava, em evidência de que a ordem da noite era demonstrar alegria.

O show pirotécnico utilizou o dobro da quantidade de fogos queimados durante a abertura da Olimpíada de Pequim e foi criado pelo mesmo artista plástico, Cai Guoqian. Nesta quinta-feira, além dos desenhos no céu, os fogos "pintaram" três quadros de 2,2 mil metros quadrados de área cada, em uma tela suspensa no meio da praça.

O dia de celebrações foi aberto por uma parada militar e um desfile civil, marcados por slogans revolucionários, canções comunistas e a estética do realismo socialista, com algum toque carnavalesco.

"Os últimos 60 anos da Nova China provaram que só o socialismo pode salvar o país e só a reforma e a abertura podem desenvolver a China", declarou o presidente Hu Jintao no discurso que fez depois de passar em revista as tropas que desfilaram diante de convidados reunidos na praça.

Além de unir o marxismo e as reformas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978, Hu exaltou a unidade nacional e reafirmou a política de reunificação pacífica do país, que na prática significa a volta de Taiwan ao território chinês. A ilha é o local para onde fugiram em 1949 os nacionalistas derrotados por Mao Tsé-tung e seus seguidores.

A parada militar e o desfile civil foram concebidos para a televisão, por onde a maioria esmagadora dos chineses assistiu ao evento. Só convidados podiam entrar nas imediações da praça os moradores de Pequim foram orientados pelo governo a ver o espetáculo "do conforto de seus lares".

Os soldados executaram movimentos absolutamente sincronizados, desenvolvidos ao longo de quatro meses de ensaio. Os 80 mil estudantes que ocupavam a praça usavam painéis coloridos e precisão militar para desenhar os caracteres chineses captados por câmeras sustentadas por guindastes ou levadas nos helicópteros que acompanhavam o evento.

Os gigantescos caracteres chineses construídos pelos estudantes repetiam alguns dos slogans clássicos do comunismo chinês, como "servir ao povo", "longa vida ao Partido Comunista" e "o socialismo é ótimo".

* O repórter Cristiano Dias viajou a convite do governo da China

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