diretor do FBI Christopher Wray
Diretor do FBI, Christopher Wray| Foto: Olivier Douliery/AFP

A China é a “maior ameaça” ao futuro dos EUA, disse o diretor do FBI, Christopher Wray, nesta terça-feira (7) – um sinal de que os americanos devem intensificar ainda mais a disputa com o rival asiático daqui em diante.

Falando em um evento no Instituto Hudson, Wray declarou que a China representa uma ameaça à propriedade intelectual, à vitalidade econômica dos EUA e por consequência à segurança nacional americana. Para explicar sua conclusão, citou que o FBI abre um novo caso de contrainteligência relacionado à China a cada 10 horas e que dos quase 5 mil casos ativos de contrainteligência em andamento em todo os EUA, quase metade está relacionada à China.

“Neste exato momento, a China está trabalhando para comprometer as organizações de assistência médica, empresas farmacêuticas e instituições acadêmicas americanas que conduzem pesquisas essenciais sobre a Covid-19”, exemplificou.

Wray disse que o Partido Comunista da China quer superar os Estados Unidos na liderança econômica e tecnológica global usando “uma gama diversificada de técnicas sofisticadas”, que vão desde “invasões cibernéticas a informantes corruptos” para roubar propriedade intelectual americana. Ele citou como exemplo o caso do cientista Hongjin Tan, um chinês que residia legalmente nos EUA e que, após se inscrever em um programa de talentos da China, roubou mais de US$ 1 bilhão em segredos comerciais da empresa onde trabalhava, uma petrolífera de Oklahoma. Hongjin, 36, confessou o crime e em fevereiro foi condenado a dois anos de prisão.

Além de roubo de propriedade intelectual, o diretor do FBI acusou a China de hackear e roubar dados de empresas e cidadãos americanos. Citando o caso da Equifax, quando 150 milhões de americanos tiveram seus dados vazados, Wray disse que a China tem interesse em colocar as mãos sobre essas informações para aumentar as suas bases de dados e desenvolver ferramentas de inteligência artificial e ao mesmo tempo para identificar pessoas com acesso a informações confidenciais do governo americano, para depois tentar roubar essas informações.

O Partido Comunista da China também estaria usando de “influência estrangeira maligna” para manipular os americanos, segundo o diretor do FBI. “China está envolvida em uma campanha de influência estrangeira maligna altamente sofisticada, e seus métodos incluem suborno, chantagem e acordos secretos. Diplomatas chineses também usam pressão econômica aberta e intermediários aparentemente independentes para forçar as preferências da China nas autoridades americanas”, disse Wray em seu discurso de quase uma hora.

O diretor do FBI também salientou que a China tenta forçar que críticos do regime comunista voltem ao país, usando de ameaças. “Ou volte para a China ou se suicide”, contou Wray sobre uma ameaça do governo chinês a um dissidente que mora nos Estados Unidos. “A China tem um sistema fundamentalmente diferente do nosso - e está fazendo todo o possível para explorar a nossa abertura enquanto aproveita seu próprio sistema fechado”.

Ao encerrar sua apresentação, Wray disse que o FBI, junto com outras agências de seguranças e governos parceiros, estão tendo sucesso em conter o avanço da China, mas afirmou que é preciso uma resposta da sociedade americana como um todo a esses problemas.

“Confrontar essa ameaça com eficácia não significa que não devemos fazer negócios com os chineses. Não significa que não devemos receber visitantes chineses. Não significa que não devemos acolher estudantes chineses ou coexistir com a China no cenário mundial”, avaliou. “Mas isso significa que, quando a China violar nossas leis e normas internacionais, não vamos tolerar, muito menos promover isso”.

O discurso completo de Christopher Wray está disponível neste link, em inglês.

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