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O regime chinês rejeitou as conclusões da nova investigação aberta pelo governo americano que acusa o país de utilizar o transbordo de mercadorias em outros países, como o Brasil, para contornar tarifas.
Em uma coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (20), o porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, classificou os argumentos dos EUA como "uma narrativa falsa" e disse que o documento, divulgado há uma semana pela Casa Branca, “ignora os fatos e distorce a realidade, ao classificar como fraude o comércio e o investimento internacionais normais”.
O relatório, intitulado “A fraude do transbordo em massa: origem, alcance e custo”, aponta que a China é responsável por prejuízos multimilionários aos EUA e a perda de empregos por meio dessas práticas.
Ao negar os argumentos levantados no relatório, o representante do regime de Xi Jinping defendeu que a verdadeira razão das perdas financeiras dos EUA seriam as elevadas tarifas impostas ao resto do mundo. "Essa é a verdadeira causa que ameaça a segurança das cadeias de abastecimento globais”, disse He.
O porta-voz do Ministério do Comércio acusou a Casa Branca de “atribuir seus próprios problemas econômicos a fatores externos” e exigiu que o governo Trump ponha fim imediatamente a essas acusações “irresponsáveis”.
Pequim ainda defendeu que respeita as normas do comércio internacional e que continuará a desenvolver a cooperação econômica e comercial com os países com base na igualdade e no benefício mútuo.
No documento apresentado na semana passada, os EUA afirmaram que Pequim oculta a origem real de seus produtos, realizando em outros países — como Brasil, Argentina e México - tarefas como costura, etiquetagem, embalagem ou inspeção, a fim de se beneficiar das condições comerciais mais favoráveis que esses territórios têm com Washington, incluindo tarifas mais baixas.
A investigação cita o Brasil como uma "plataforma regional maior de produção e logística capaz de sustentar redirecionamentos ou alegações de transformação em determinadas categorias de produtos".
Ainda, o país foi categorizado como um "corredor latino-americano" de redirecionamento do Pacífico e do Atlântico, entre armazéns alfandegados e montagem regional, junto à Argentina, Chile, Colômbia e Peru.
A publicação do documento, um dos mais recentes pontos de atrito entre as duas maiores economias do mundo, soma-se a outras fontes de tensão, como semicondutores, inteligência artificial e terras raras, e ocorre antes da visita de Estado do ditador Xi Jinping a Washington, prevista para o dia 24 de setembro.
Essa viagem representará o primeiro encontro nos EUA entre Xi e Trump, e terá como objetivo abordar as tensões comerciais e estratégicas que marcaram a relação bilateral nos últimos anos e que persistem, apesar da distensão demonstrada em seu encontro de maio em Pequim.




