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Chineses protestam contra censura e testam líderes

Centenas de pessoas fizeram uma manifestação hoje contra a censura ao jornal Southern Weekly e pediram a remoção do chefe de propaganda do Partido Comunista na cidade de Guangzhou

Manifestantes cercam prédio do jornal Southern Weekly, em Guangzhou, em protesto contra censura imposta ao veículo de comunicação liberal | REUTERS/James Pomfret
Manifestantes cercam prédio do jornal Southern Weekly, em Guangzhou, em protesto contra censura imposta ao veículo de comunicação liberal (Foto: REUTERS/James Pomfret)

Conflitos relacionados à censura de um jornal liberal chinês, o Southern Weekly, se tornaram um desafio à nova liderança do país em meio a protestos e pedidos por reformas democráticas ocorridos nesta segunda-feira (7).

Centenas de pessoas fizeram uma manifestação hoje contra a censura ao jornal e pediram a remoção do chefe de propaganda do Partido Comunista na cidade de Guangzhou (Cantão), o ministro provincial Tuo Zhen. O protesto, raro na China, ocorre após um grupo de 18 professores universitários e intelectuais terem enviado uma carta a Pequim, pedindo ao Politburo que remova Tuo do cargo.

Os manifestantes apoiaram o jornal em seu confronto com Tuo após a publicação ter sido forçada a transformar o editorial de Ano Novo, que falava da necessidade de reformas políticas no país, em um texto que elogiava o Partido Comunista. Fontes afirmam que pelo menos um dos departamentos de notícias do jornal entrou em greve.

Os manifestantes se reuniram em frente à sede do Southern Weekly em Guangzhou, no sul da China, colocaram flores no portão e levantaram cartazes que pediam liberdade de expressão, reformas políticas e democracia. "Acredito que o cidadão comum deve despertar", disse um dos manifestantes, Yuan Fengchu. "As pessoas estão começando a perceber que seus direitos foram eliminados pelo Partido Comunista e se sentem constantemente oprimidas".

"Os leitores é que deveriam decidir se o conteúdo é bom ou ruim. Isso não é uma função do governo e dos funcionários públicos", disse Ah Qiang, escritor e ativista que participou do protesto nesta segunda-feira.

O professor de direito He Weifang, que está entre os intelectuais que assinaram o manifesto pedindo o afastamento de Tuo, disse que o bom trabalho do jornal precisa ser defendido da censura.

"O Southern Weekly é conhecido como um jornal que publica a verdade, mas após Tuo Zhen ter chegado à província de Guangdong, ele constantemente passou a pressionar os jornalistas. Precisamos que ele tome consciência que não pode fazer isso", disse He. "Esse é um teste para descobrirmos se a nova liderança em Pequim está determinada a realizar reformas políticas", disse.

Consultado pela Associated Press, o departamento de propaganda da província de Guangdong não respondeu. A imprensa chinesa tem se tornado mais ousada nos últimos anos em algumas coberturas, principalmente nas matérias de esportes e sobre celebridades. Mas a censura a temas políticos permanece cerrada - embora o governo afirme que não existe censura - e essa postura começou a atrair críticas abertas dos jornalistas e intelectuais.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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