A Promotoria da Coréia do Sul acusou formalmente nesta sexta-feira o cientista Hwang Woo-Suk de malversação de fundos e violar a legislação sobre bioética, por causa do seu falso estudo sobre clonagem de embriões humanos e obtenção de células-tronco.
Após vários meses de inquérito, a promotoria afirmou que Hwang malversou cerca de US$ 3 milhões dos orçamentos destinados à pesquisa científica. Além disso, ele manipulou dados dos estudos publicados em 2004 e 2005 na revista americana "Science".
Em 2004, o cientista disse que tinha obtido células-tronco de embriões humanos clonados. Um ano depois, Hwang anunciou a obtenção de 11 células-tronco específicas, procedentes de embriões humanos clonados a partir de pacientes doentes. A descoberta, se fosse real, teria possibilitado avançar na cura de doenças como diabetes, Parkinson e Alzheimer.
A promotoria confirmou que Hwang não conseguiu criar as células-tronco anunciadas. Em janeiro, o comitê de investigação da própria Universidade Nacional de Seul, onde trabalhava o cientista, já havia chegado à mesma conclusão.
No entanto, os promotores esclareceram nesta sexta-feira que as falsas células-tronco foram na realidade obra de um colaborador de Hwang, o também cientista Kim Sun-Jong, acusado de fraude ao lado de outros quatro membros da equipe.
Hwang utilizou parte do dinheiro para pagar mulheres pela doação de seus óvulos, que seriam utilizados nos experimentos. A prática fere a Lei da Bioética.
Boa parte dos fundos foi parar nos bolsos de altos funcionários do governo e de executivos de grandes empresas, que por sua vez ofereciam doações para sustentar a pesquisa.
Hwang renunciou em dezembro ao cargo de professor da Universidade de Seul. O caso foi o maior escândalo científico do país e surgiu por causa de uma denúncia do canal de televisão local MBC, que suspeitou de manipulação de dados nos estudos.







