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Para entender

Comboios humanitários levam 12 horas para cruzar trecho ocupado no sul do Líbano

O mistério central da fé, onde o sagrado se torna presente. (Foto: Pixabay / Heiko Dörr)

Moradores dos vilarejos cristãos de Ain Ebel, Rmeich e Debl enfrentam rotas perigosas e humilhantes para retornar às suas casas no sul do Líbano neste domingo (6). Devido aos combates entre Israel e o Hezbollah, o percurso de duas horas a partir de Beirute agora leva até meio dia. Os civis dependem de comboios escoltados pela ONU para atravessar postos militares e áreas sob controle estrangeiro.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos moradores no trajeto?

O chamado 'caminho do Calvário' envolve esperas exaustivas debaixo do sol forte, muitas vezes sem acesso a água ou banheiros. O trajeto exige a travessia por territórios controlados por forças israelenses, onde os libaneses precisam de autorização estrangeira para circular em seu próprio país. Além dos danos físicos nas estradas, que exigem veículos robustos, os viajantes convivem com o som constante de ataques aéreos e a visão de casas destruídas ao longo do caminho, transformando uma viagem simples em uma provação psicológica e física que dura mais de 12 horas.

Como a comunidade local tem se organizado para sobreviver ao isolamento?

A resiliência dos vilarejos, apelidados de 'Delta da Resistência', é mantida por uma forte rede de apoio religioso e humanitário. A Igreja Católica e a Cáritas Líbano desempenham papéis fundamentais, fornecendo desde alimentos e remédios até suporte espiritual. Sacerdotes realizam visitas constantes aos doentes e mantêm grupos paroquiais ativos para garantir que nenhuma família seja abandonada. O objetivo das instituições é oferecer dignidade para que os cristãos permaneçam em suas terras ancestrais, mesmo diante da destruição material e da falta de serviços básicos.

Qual é a situação de saúde das pessoas que utilizam os comboios?

A situação é crítica para os passageiros mais vulneráveis, como idosos e recém-nascidos. Muitos moradores precisam ir a Beirute para cirurgias ou tratamentos oncológicos e são forçados a enfrentar o longo retorno em condições precárias, às vezes poucos dias após procedimentos médicos complexos. Mulheres grávidas também fazem a jornada para dar à luz na capital e retornam com bebês nos braços, encarando horas de confinamento nos veículos. Até animais de carga, transportados para a subsistência das fazendas locais, acabam morrendo devido ao calor intenso durante os bloqueios.

Qual é o papel da diplomacia do Vaticano e da ONU na região?

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) atua na proteção dos comboios humanitários, tentando garantir a segurança básica contra ataques diretos. No âmbito religioso, a presença do núncio apostólico Paolo Borgia é vista como um símbolo de esperança. Mesmo sob bombardeios, o representante do Papa insiste em visitar os vilarejos, celebrar missas e ouvir as angústias da população. Essa presença diplomática e religiosa reforça a visibilidade internacional da crise vivida pelos cristãos do sul do Líbano, que se dizem presos em uma guerra que não escolheram participar.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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