
Um padre na Nicarágua revelou mecanismos de controle da ditadura de Daniel Ortega contra católicos. Desde 2018, agentes monitoram missas, exigem fotos de sacerdotes e proíbem homilias sobre temas sociais, sob pena de prisão ou exílio, em um cenário de restrição financeira e religiosa severa.
De que maneira a polícia monitora a rotina dos líderes religiosos?
Os sacerdotes são obrigados a informar às autoridades cada saída da paróquia e detalhar todos os serviços litúrgicos realizados. A polícia comparece às missas dominicais para fotografar os padres, servindo como prova de que estão cumprindo o itinerário declarado. Bispos também são seguidos por veículos designados e vigiados de perto em suas reuniões.
Quais são as consequências para padres que criticam o regime?
Qualquer comentário sobre problemas sociais ou políticos durante as homilias é interpretado pela ditadura como discurso de insurreição ou rebeldia. Os religiosos que se manifestam correm riscos imediatos de serem presos ou expulsos do país através do exílio. Esse clima de medo gera um silêncio forçado, dificultando até mesmo visitas a colegas que já foram detidos.
Como funcionam as dioceses que perderam seus bispos?
Atualmente, quatro dioceses estão sem bispos presentes, como Matagalpa e Estelí, cujos líderes foram exilados. Nestes locais, a polícia intensifica a vigilância e não ocorrem novas ordenações de padres, já que bispos de outras regiões não podem atuar fora de suas jurisdições. O número de sacerdotes ativos tem caído drasticamente devido às expulsões e fugas sistemáticas.
Como a Igreja sobrevive após a proibição de recursos estrangeiros?
Em 2023, o regime proibiu a entrada de fundos externos e dissolveu o braço caritativo Caritas Nicarágua, sob alegações de lavagem de dinheiro. Sem contas bancárias ou acesso a doações internacionais, os padres dependem totalmente da ajuda da população local, muitas vezes pobre, que paga as contas de luz e água das paróquias e fornece alimentação aos sacerdotes.
Ainda existem procissões e eventos religiosos públicos no país?
A maioria das procissões foi proibida pela ditadura. A polícia permite apenas poucas celebrações tradicionais por conta de seu valor cultural ou turístico, e não como reconhecimento da liberdade de fé. Quando os padres tentam organizar eventos sem autorização expressa, recebem ameaças diretas de prisão por parte dos oficiais de segurança.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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