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Para entender

Como o Japão se tornou um centro de operações para espiões da Rússia?

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o ditador russo, Vladimir Putin: situação gera constrangimento e cobrança de aliados de Tóquio (Foto: Riccardo Antimiani/Pavel Bednyakov/EFE/EPA)

O Japão enfrenta um grave impasse diplomático e de segurança. Antigas leis e fiscalização frouxa transformaram o país em um reduto para espiões russos, que atuam no território japonês para obter tecnologia e componentes essenciais para alimentar a máquina de guerra de Moscou contra a Ucrânia.

Qual é a principal prova da espionagem russa em solo japonês?

Agentes da inteligência militar da Rússia, o GRU, estariam operando em Tóquio sob identidades falsas. Um exemplo marcante é o de um oficial veterano que trabalha infiltrado como funcionário da companhia aérea estatal Aeroflot. O objetivo central desses agentes não é a espionagem política comum, mas sim garantir o abastecimento de tecnologia avançada japonesa para as frentes de combate na Ucrânia.

Como produtos japoneses estão parando em armas usadas pela Rússia?

Estimativas do governo ucraniano apontam que 90% dos mísseis e drones russos contêm componentes fabricados no Japão. Isso acontece porque o país possui indústrias de ponta em semicondutores, sensores e robótica. A Rússia consegue contornar sanções internacionais usando empresas de países terceiros e aproveitando o controle frouxo do Japão sobre itens de 'uso dual', que servem tanto para fins civis quanto militares.

Por que as leis japonesas são consideradas frágeis contra espiões?

A origem do problema é histórica e constitucional. Devido ao trauma da repressão estatal durante a Segunda Guerra Mundial, a Constituição japonesa restringiu severamente a vigilância do Estado sobre indivíduos. Como resultado, o país ficou sem mecanismos legais rígidos para punir a espionagem estrangeira, o que hoje gera constrangimento e cobranças por parte de aliados ocidentais como os Estados Unidos e a Austrália.

O governo do Japão pretende mudar essa situação?

Sim. O porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, admitiu recentemente que Tóquio precisa tratar a segurança nacional com mais rigor diante de um cenário global em transformação. O Parlamento japonês já aprovou uma lei para a criação de um novo organismo nacional que coordenará as atividades de inteligência, atualmente fragmentadas em diferentes agências, visando combater a obtenção clandestina de informações críticas.

Existe algum risco de reaproximação diplomática entre os dois países?

Embora o Japão mantenha sanções rigorosas, há sinais de passos tímidos de diálogo. Recentemente, parlamentares japoneses visitaram Moscou e houve eventos culturais russos em Tóquio com a presença de figuras ligadas ao governo. No entanto, a primeira-ministra Sanae Takaichi mantém uma postura firme de distanciamento, reforçando que o território japonês não deve ser usado para apoiar a ofensiva russa.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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