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Ficou mais remota nesta quinta-feira a perspectiva de um acordo robusto na conferência sobre mudanças climáticas da ONU em Copenhague, que chega ao penúltimo dia, após dois anos de negociações, ainda sob o impasse entre países ricos e pobres a respeito de quem pagará a conta pelo combate ao aquecimento global.

Dezenas de chefes de Estado e governo estão chegando à capital dinamarquesa para participar do evento, que começou no dia 7. Eles têm até sexta-feira para assinar um novo pacto climático, mas os ministros que os representam não conseguiram redigir um texto coerente, porque permanecem as discordâncias sobre até que ponto os países em desenvolvimento devem seguir as nações industrializadas na redução das emissões de carbono.

Uma proposta da anfitriã Dinamarca para que as negociações fossem divididas entre grupos ministeriais menores enfrentou forte oposição dos países em desenvolvimento, liderados pela China, maior emissor global de gases do efeito estufa. Esses países temiam que, no sistema proposto pela Dinamarca, sua voz não seria ouvida. Não houve avanços durante a noite.

"Temos uma situação séria. Desperdiçamos um dia inteiro", disse o ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Roettgen, à Reuters.

A China disse aos participantes que não vê mais chances de chegar a um acordo detalhado, relatou na manhã de quinta-feira um funcionário de outro governo, pedindo anonimato. De acordo com essa fonte, os chineses propuseram que a conferência se limite a "uma curta declaração política de algum tipo."

O embaixador chinês para mudanças climáticas, Yu Qingtai, disse à Reuters posteriormente que seu país não desistiu de chegar a um acordo firme sobre o clima em Copenhague.

"Não sei de onde saiu esse rumor, mas posso garantir a vocês que a delegação chinesa veio a Copenhague com esperança e que não desistiu... Copenhague é importante demais para fracassar", afirmou.

Alguns ministros de países desenvolvidos queixaram-se de que as negociações podem ser sufocadas sob questões regimentais. "Temos uma situação seriíssima", disse o ministro sueco do Meio Ambiente, Andreas Carlgren, à Reuters.

O objetivo da reunião de Copenhague é definir um novo acordo climático que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013. Há meses se sabe, no entanto, que dificilmente haverá um tratado juridicamente vinculante, e que o mais provável é a adoção de um acordo político, que será transformado em texto de cumprimento obrigatório em algum momento em 2010.

A quinta e sexta-feira são os dias reservados à participação dos chefes de Estado e governo. O presidente dos EUA, Barack Obama, chega na manhã de sexta-feira.

Os oradores estão inscritos para falar até o começo da madrugada, o que inclui pesos-pesados da política, como os presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel.

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