Publicidade
Crise na América do Sul

Congresso do Paraguai pede respeito à sua história após falas de Lula

Lula pesquisa data folha
Crise teve início após Lula citar Guerra do Paraguai em visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP) (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

Ouça este conteúdo

O Senado e a Câmara dos Deputados do Paraguai expressaram, nesta quarta-feira (29), sua condenação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que citou a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) para justificar o aumento dos gastos com defesa no Brasil, acusando-o de distorcer a história.

Em sessão extraordinária, o Senado aprovou uma nota de repúdio às declarações do petista. Durante uma visita a uma fábrica da empresa de defesa Avibras Aeroco na última sexta-feira, Lula afirmou que seu país valoriza a paz, mas que não se pode "esquecer que um dia o Paraguai decidiu invadir o Brasil", e posteriormente fez o mesmo com a Argentina e o Uruguai.

Os senadores instaram as autoridades brasileiras a adotarem "uma abordagem respeitosa, equilibrada e verídica em relação à história compartilhada, a fim de fortalecer as relações bilaterais", enfatizando que o Paraguai é "um dos países mais pacíficos da América do Sul" e "não representa qualquer ameaça à soberania ou integridade territorial do Brasil".

O texto, proposto pelo senador da oposição Eduardo Nakayama, diz que as declarações de Lula "distorcem e simplificam unilateralmente as origens da Guerra da Tríplice Aliança", na qual seu país lutou contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai, e atribuem ao Paraguai "o status de único agressor", omitindo a invasão do Uruguai pelo Brasil.

As consequências para o Paraguai do que também é conhecido como a Grande Guerra foram "catastróficas e sem paralelo na história da América do Sul", enfatizou a declaração, observando que o país perdeu entre 50% e 60% de sua população, sofreu "devastação econômica e produtiva, suportou uma prolongada ocupação militar, foi saqueado e ficou sobrecarregado com dívidas de guerra".

"Essa ferida permanece aberta na memória coletiva do povo paraguaio e é exacerbada por atitudes e declarações" como as de Lula, acrescentou o documento.

Durante o debate, o senador da oposição Rafael Filizzola disse considerar "um absurdo trivializar uma guerra como essa", lamentando que o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai não tivesse emitido um protesto oficial.

"O presidente Lula tem o direito de defender a segurança de seu país, mas não tem o direito de usar a tragédia paraguaia para justificar o uso de armas", disse o também senador da oposição Ignacio Iramain.

Reação na Câmara dos Deputados

Além do Senado, a Câmara dos Deputados também aprovou uma nota de repúdio às declarações de petista "por distorcerem e minimizarem a magnitude" desta guerra, considerada a mais sangrenta da América do Sul.

A resolução, que foi enviada ao presidente paraguaio Santiago Peña, também insta o Poder Executivo a "promover esforços diplomáticos para a restituição" dos troféus de guerra, como "expressão de justiça histórica".

Um dos troféus mencionados é o Canhão Cristiano, uma peça de artilharia fabricada em 1866 pelo Paraguai a partir do bronze derretido de sinos doados pela população para defender o país durante a guerra. Atualmente, encontra-se no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

O vice-presidente do país vizinho, Pedro Alliana, solicitou a devolução do bem ao criticar o presidente brasileiro nesta quarta-feira.

Os congressistas também insistiram que eventos históricos que marcaram profundamente as nações "sejam sempre abordados com sensibilidade, responsabilidade histórica e espírito de reconciliação, honrando a verdade, a memória das vítimas e os princípios do direito internacional".

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.