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Tensão

Coreia do Norte se prepara para possível conflito contra o Japão

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O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante Congresso do Partido dos Trabalhadores. (Foto: KCNA/EFE/EPA)

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O regime da Coreia do Norte está se preparando para ampliar suas opções militares diante do fortalecimento das Forças Armadas do Japão. Pyongyang afirmou nesta semana que vai adotar novas medidas militares depois que Tóquio testou pela primeira vez um míssil de cruzeiro Tomahawk de fabricação americana e avançou no desenvolvimento de capacidade de ataque de longo alcance.

A advertência foi feita por Kim Yo Jong, irmã do ditador norte-coreano Kim Jong-un. Em comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, Kim Yo Jong, que possui aparente influência no regime, disse que o Japão está abandonando gradualmente sua postura defensiva e se transformando em uma potência militar capaz de realizar ataques preventivos.

Segundo Kim, a liderança norte-coreana estabelecerá “opções militares adicionais” em resposta às mudanças que estão sendo promovidas por Tóquio. Ela não explicou quais medidas estão sendo preparadas nem informou quando poderiam ser adotadas.

“Não permaneceremos como observadores passivos diante da evolução militar do Japão, que pode representar uma grave ameaça”, afirmou a norte-coreana, segundo a KCNA.

Em outra declaração, Kim disse que Pyongyang pretende fazer o Japão "sentir" que sua própria segurança está ameaçada como consequência do seu fortalecimento militar. “Devemos fazê-los se arrepender”, afirmou, em uma das advertências mais duras feitas pelo regime contra Tóquio nos últimos anos.

Teste de míssil elevou tensão

O principal motivo apontado pela Coreia do Norte para a nova ameaça foi o primeiro teste japonês de um míssil de cruzeiro Tomahawk. O teste foi realizado a partir do destróier Chokai, equipado com o sistema de defesa Aegis, no Oceano Pacífico.

Os Tomahawk são mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos terrestres a grandes distâncias. Eles ocupam uma posição central na nova estratégia japonesa para desenvolver capacidade de contra-ataque caso o país seja ameaçado.

O Japão encomendou aos Estados Unidos cerca de 400 desses mísseis, com entregas previstas até março de 2028. Para o governo japonês, o armamento é uma ferramenta de dissuasão diante do avanço militar de países como China e a própria Coreia do Norte.

Kim Yo Jong argumentou que a aquisição desse tipo de arma coloca a Coreia do Norte e outros países vizinhos dentro do alcance potencial de ataques japoneses.

Ela também mencionou testes de outros mísseis e a participação das forças japonesas em exercícios militares liderados pelos Estados Unidos nas Filipinas, em maio, como evidências de uma mudança mais ampla da política de defesa de Tóquio.

A Coreia do Norte responsabilizou o governo americano pelo fortalecimento militar japonês.

Segundo Kim Yo Jong, Washington está por trás do que chamou de “movimentos militares perigosos” ao vender os Tomahawk, ajudar a modificar embarcações japonesas para operar os mísseis e apoiar os testes realizados no Pacífico.

Washington, Tóquio e Seul, por outro lado, afirmam que a cooperação busca responder principalmente ao desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos pela Coreia do Norte.

Japão está se rearmando

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão manteve uma política de defesa fortemente limitada por sua Constituição pacifista. Nas últimas décadas, no entanto, o país começou a ampliar progressivamente suas capacidades militares diante da deterioração do ambiente de segurança na Ásia.

Tóquio aumentou os gastos com defesa, reforçou alianças militares e passou a adquirir armamentos capazes de atingir alvos a maiores distâncias.

Em 2022, o governo estabeleceu como objetivo elevar os gastos militares para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até o ano fiscal que termina em março de 2028. A primeira-ministra Sanae Takaichi posteriormente antecipou a meta em dois anos.

No atual ano fiscal, iniciado em abril, os gastos com defesa equivalem a aproximadamente 1,9% do PIB japonês. O país também deverá divulgar ainda neste ano um novo plano plurianual de investimentos militares e atualizar sua Estratégia de Segurança Nacional.

O movimento representa uma mudança significativa para um país que, durante décadas, restringiu suas forças principalmente à defesa do próprio território.

Japão aponta ameaças de China, Rússia e Coreia do Norte

O fortalecimento das Forças Armadas japonesas ocorre em meio à crescente preocupação de Tóquio com a aproximação militar entre China, Rússia e Coreia do Norte.

Um documento anual do Ministério da Defesa japonês divulgado nesta semana afirmou que a cooperação entre os três países aumenta os riscos para a segurança do Japão.

O relatório também dedicou, pela primeira vez, uma seção específica aos esforços do país para fortalecer sua própria indústria de defesa.

A Coreia do Norte é uma das principais preocupações. O regime de Kim Jong-un mantém um arsenal nuclear e realizou centenas de testes de mísseis nas últimas décadas. Alguns projéteis já passaram sobre o território japonês ou caíram em águas dentro da zona econômica exclusiva do país.

Pyongyang já realizou pelo menos 320 testes de mísseis estratégicos ou balísticos até junho de 2026.

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