
Viena - A Coréia do Norte suspendeu sua proibição à presença de inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU) e voltou a liberar o acesso à usina de plutônio utilizada para a construção de uma bomba atômica, disseram ontem diplomatas em Viena. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que a Coréia do Norte retomará a desativação da usina de Yongbyon a partir de hoje.
As informações estão em um relatório restrito da AIEA ao seu corpo de 35 governadores. A mudança é um claro sinal de que o regime de Pyongyang se comprometeu a honrar o acordo com os Estados Unidos, Rússia, China, Coréia do Sul e Japão, para desmantelar seu projeto nuclear, em troca de concessões políticas e de energia.
"Os inspetores da agência foram informados de que, a partir de 14 de outubro, as atividades de desmantelamento do reator (nuclear) serão retomadas", disse o documento de dois parágrafos. O relatório acrescenta que todas as atividades previstas no pacto de "verificação e monitoramento" fechado entre a agência nuclear das Nações Unidas e a Coréia do Norte serão retomadas.
O reator de Yongbyon localiza-se a 100 quilômetros da capital da Coréia do Norte, Pyongyang. Ele é composto por três instalações principais: o reator de 5 megawatts, uma planta processadora de plutônio e um complexo de produção de combustível nuclear.
A porta-voz da AIEA, Melissa Fleming, disse que os inspetores da AIEA "terão permissão para remontar os equipamentos de vigilância no reator nuclear". Isso significa que a AIEA poderá instalar câmeras e colocar os lacres de segurança em Yongbyon, que haviam sido retirados pelo governo norte-coreano.
Reativação
Até o fim da semana passada, Pyongyang ameaçava reativar sua usina de reprocessamento de plutônio em Yongbyon. Os lacres da AIEA chegaram a ser removidos e os inspetores da entidade foram proibidos de monitorar o local. O regime comunista mudou de opinião em meados de agosto, ao reclamar que os EUA insistiam em manter o país na lista de governos patrocinadores do terrorismo.
A Coréia do Norte anunciou que retomaria o desmantelamento em troca das promessas de concessões políticas e ajuda energética. No sábado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a retirada da Coréia do Norte de uma lista de governos acusados de "patrocinar o terrorismo".







