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Relatório

CPJ alerta sobre risco de exercer jornalismo em países latino-americanos

A violência contra jornalistas especializados em assuntos de corrupção, tráfico de drogas e crime organizado está aumentando no Brasil

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) fez um alerta nesta terça-feira (21) sobre os riscos que supõe ser jornalista em alguns países latino-americanos, como a Colômbia, México e Brasil, onde em alguns casos são alvos de assassinato e perseguição.

Após a apresentação no Cairo, o relatório anual sobre os ataques à imprensa em 2011, o subdiretor do CPJ, Robert Mahoney, explicou à Agência Efe que "há vários países onde é muito difícil ser jornalista na América Latina".

Segundo Mahoney, a violência contra jornalistas especializados em assuntos de corrupção, tráfico de drogas e crime organizado está aumentando no Brasil, principalmente em áreas remotas.

A violência contra jornalistas também é crescente no México, onde no último ano morreram três profissionais da imprensa. De acordo com o responsável pelo CPJ, devido à presença do tráfico de drogas e do crime organizado, a insegurança e a censura abrangem todo território deste país, incluído as regiões turísticas, como Acapulco.

Segundo a classificação do Comitê para a Proteção para os Jornalistas, o México é o oitavo país do mundo onde os crimes cometidos contra a imprensa ficam impunes.

Entre os países da América Latina, o México só é superado em impunidade pela Colômbia, que, apesar dos avanços, ocupa o quinto posto e continua sendo um dos lugares mais perigosos do mundo para os jornalistas.

Além destes casos, Mahoney citou as lutas entre os Governos de alguns países e os meios de comunicação privados, como a que atualmente enfrenta o Executivo argentino de Cristina Fernández Kirchner com o grupo Clarín.

O subdiretor do CPJ também lembrou o confronto entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e os proprietários da imprensa privada desse país, que são acusadas de pertencer às oligarquias e a elite empresarial.

Na Venezuela, o Governo reproduz alguns aspectos do modelo de comunicação cubano, o mais repressivo da região e caracterizado pelo controle dos meios de comunicação, o uso da propaganda política e a perseguição dos jornalistas independentes, aponta o estudo.

Mahoney também abordou a situação "preocupante" da imprensa no Equador após a recente condenação do jornal "El Universo", acusado de difamação pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, e obrigado a pagar uma milionária multa que pode supor seu fechamento.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas lembra que, desde que Correa alcançou o poder, em 2007, a Administração desenvolveu inúmeras operações comerciais até assumir o controle de muitas redes de televisão, emissoras de rádio, jornais e revistas.

Neste sentido, o relatório anual evidência como os Governos da Venezuela, Equador e Nicarágua investiram em grandes conglomerados multimídia para influenciar as agendas políticas, o que contribui para uma ausência de serviço público em todos os setores sociais.

Segundo o relatório do CPJ, divulgado nesta terça-feira, pelo menos 46 jornalistas foram assassinados em 2011 no mundo, além do aumento da censura governamental através das novas tecnologias.

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