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Polêmica

Crítica de Obama reabre debate racial

Presidente dos EUA chamou a prisão de um professor negro da Universidade Harvard de “estúpida”

“Porque isto está crescendo e eu obviamente ajudei para que isso crescesse, eu queria deixar bem claro que (...) eu poderia ter medido essas palavras de maneira diferente”, Barack Obama, presidente dos EUA | AFP /Jewel Samad
“Porque isto está crescendo e eu obviamente ajudei para que isso crescesse, eu queria deixar bem claro que (...) eu poderia ter medido essas palavras de maneira diferente”, Barack Obama, presidente dos EUA (Foto: AFP /Jewel Samad)

Washington - O presidente dos Estados Uni­­dos, Barack Obama, fez um pronunciamento para a imprensa ontem tentando conter a polêmica em torno de suas palavras so­­bre a prisão de um professor ne­­gro da Universidade Harvard que foi detido dentro da própria casa há duas semanas, em um episódio que levantou um debate so­­bre o racismo e críticas ao presidente por parte de policiais em todo o país. Obama, que na entrevista coletiva concedida na quarta-feira chamara a prisão de "es­­túpida", disse que ouve um exagero em relação às sua opinião, mas afirmou que deveria ter escolhido com mais cuidado suas palavras.

"Porque isto está crescendo e eu obviamente ajudei para que isso crescesse, eu queria deixar bem claro que minha escolha de palavras eu acho que, infelizmente, deu uma impressão de que eu estava estigmatizando o Departamento de Polícia de Cam­­bridge ou o sargento Crowley es­­pecificamente", disse Obama. "E eu poderia ter medido essas palavras de maneira diferente."

Obama fez os comentários de­­pois de falar pelo telefone com o sargento James Crowley, o policial que fez a prisão do professor Louis Gates Jr, e disse que considerava convidar o sargento e o professor para tomarem uma cerveja na Casa Branca.

Obama disse, no entanto, que o debate sobre a prisão mostra que o tema racial ainda é uma questão a ser discutida nos EUA. "Tenham em mente que, devido à nossa história, [..] os afro-americanos são sensíveis em relação a esse tema." Ele também defendeu-se daqueles que o criticaram por ter se manifestando sobre um problema local, afirmando que o próprio debate nacional sobre o assunto mostra que a questão interessa a todo o país.

Ao fim do pronunciamento, o presidente americano disse que não falaria sobre o plano de reforma da saúde, que tem sido sua prioridade nos últimos dias, e levou os jornalistas ao riso ao lembrar que o debate sobre sua entrevista de anteontem não se concentrou na reforma, sobre a qual ele havia falado durante quase uma hora, mas sobre breve o co­­mentário em relação à prisão.

Especialista em estudos afro-americanos da Universidade de Harvard, Gates havia esquecido suas chaves e forçou a porta para entrar em sua própria residência. Alertada por uma vizinha que pensou que ele fosse um ladrão, a polícia chegou quando Gates já estava dentro da casa e provou que era morador do local.

Gates foi acusado pelos policiais de "perturbar a ordem pública". Segundo o documento, ele se negou a dar o nome e considerou os agentes racistas, exclamando: "Assim é que os negros são tratados nos Estados Unidos".

No relatório da prisão, o sargento Crowley disse que pediu para falar com Gates do lado de fora de sua casa, mas que o professor respondeu "Falarei com a sua mãe lá fora".

Autoridades disseram que podem liberar as fitas do oficial chamando a central de polícia, nas quais Gates pode ser ouvido ao fundo.

Ontem, sindicatos de policiais pediram a Obama, e ao governador de Massachusetts, Deval Pa­­trick, que pedissem desculpas por comentários que consideraram ofensivos sobre o episódio.

Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, evitou usar a questão racial na campanha – embora tenha recebido apoio massivo dos eleitores negros.

Recentemente, ele ligou sua histórica ascensão ao poder ao vigor e ao valor dos líderes negros da luta pelos direitos civis, em um discurso proferido na sede da As­­sociação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), considerado seu primeiro grande pronunciamento especialmente voltado para a questão racial desde que assumiu a Presidência.

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