
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tentou nesta sexta-feira (24) acabar com uma polêmica que envolveu a detenção de um professor universitário negro por um policial branco e que se agravou após ele ter feito comentários que irritaram a polícia.
Obama disse que telefonou nesta sexta-feira (24) tanto para o sargento James Crowley, quanto para o professor universitário Henry Louis Gates Jr., que é seu amigo.
Obama disse que a conversa por telefone confirmou a ele a impressão de que o sargento Crowley é um "bom homem e um ótimo profissional". Ele não divulgou o teor da conversa com Gates Jr., mas convidou a ambos para uma visita à Casa Branca.
Mais cedo, Obama manteve sua afirmação de que a polícia não tinha necessidade de prender um professor de Harvard que estava tentando entrar em sua própria casa em Massachusetts. O professor, negro e amigo de Obama, foi detido no dia 16, quando voltou de uma viagem ao exterior, encontrou a porta de casa travada e a forçou. Uma mulher viu a cena, achou que fosse um ladrão e chamou a polícia, que após uma discussão deu voz de prisão ao acadêmico.
Obama disse em entrevista à emissora de televisão ABC que tem "extraordinário respeito" pelos desafios e dificuldades que os policiais enfrentam todos os dia em seu trabalho. Mas, ao mesmo tempo, afirmou que acha que não era necessário prender o professor Henry Louis Gates Jr.
Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, disse hoje mais cedo que "obsessões" da mídia estão dando vida longa aos comentários de Obama.
As declarações de Obama foram uma resposta a um grupo de policiais brancos, negros e hispânicos que pediu nesta sexta-feira ao presidente que pedisse desculpas à polícia, por comentários que os policiais consideraram ofensivos.
Obama disse na quinta-feira que "cabeças mais frias deveriam ter prevalecido" no incidente. Mas ele não voltou atrás de sua opinião inicial, segundo a qual a polícia agiu "de maneira estúpida".
Já amigos e colegas de trabalho do policial branco que deteve Gates Jr. afirmam que ele é um policial de princípios e um homem de família que está sendo injustamente acusado de racismo.
Seus apoiadores - brancos e negros - dizem que o sargento James Crowley, que foi escolhido por um comissário de polícia negro para ensinar aos recrutas sobre como evitar atos racistas, é calmo e confiável.
"Se as pessoas estão procurando por alguém abusivo ou arrogante, eles pegaram o cara errado", disse Andy Meyer, que tirou férias com Crowley, foi técnico esportivo com ele e é seu companheiro no time masculino de softbol. "Ele não é um policial racista".
Gates acusou o policial, em serviço há 11 anos, de ter sido persistente e autoritário depois de Crowley tê-lo detido e o acusado de conduta imprópria na semana passada.
Crowley confrontou Gates em sua casa depois que uma mulher que passava pelo local ter chamado a polícia porque suspeitava que a casa estivesse sendo arrombada. O sargento disse que deteve Gates depois de o professor universitário tê-lo acusado de racismo e ter xingado sua mãe, acusações negadas pelo professor. Crowley disse ter pedido antes a carteira de identidade a Gates, o que teria enfurecido o professor, que passou a xingar a mãe do sargento.
Gates exigiu um pedido de desculpas e disse que pode processar o departamento de policia.
Crowley disse a uma rádio na quinta-feira que as palavras do presidente Barack Obama sobre o caso foram muito longe. "Eu apoio do presidente dos Estados Unidos 110%", disse ele à rádio WBZ-AM. "Eu acho que ele foi um pouco fora de propósito falar sobre uma questão local sem saber de todos os fatos, como ele mesmo admitiu".
O comissário de polícia de Cambridge, Robert Haas, ao falar pela primeira vez sobre a prisão, disse na quinta-feira que Crowley é um oficial condecorado que segue os procedimentos. O departamento está organizando um painel independente para rever os acontecimentos.
"O sargento Crowley é um membro exemplar deste departamento. Eu confio em seu julgamento todos os dias", disse Haas. "Eu acho que, basicamente, ele fez o melhor perante a situação que foi apresentada a ele".
Mas o governador de Massachusetts, Deval Patrick, o primeiro negro a ser eleito para o cargo, chamou a prisão de "pesadelo de cada homem negro". O governador disse que "você deve ser capaz de elevar sua voz em sua própria casa sem o risco de se detido".
Crowley foi criado em Cambridge e estudou nas escolas da cidade, onde há diversidade racial. Dois de seus irmãos também trabalham no departamento de polícia e um terceiro é xerife do condado de Middlesex.
Nos últimos seis anos, Crowley tem trabalhado com um colega negro no ensino aos cadetes sobre como evitar suspeitar de alguém apenas por sua raça.
"O que eu tenho por ele é o maior respeito como policial. Ele é muito profissional um bom exemplo para os jovens recrutas", disse Thomas Fleming, diretor da academia de polícia Lowell. As informações são da Associated Press.



