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O documento final do encontro de cúpula de presidentes americanos que se realiza na Argentina continuava sendo uma incógnita neste sábado, enquanto cerca de 30 países tentavam convencer o Mercosul e a Venezuela a relançar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), um projeto de integração continental amplamente defendido pelos EUA.

O último dia de negociações dos 34 mandatários na cidade costeira de Mar del Plata começou com um discurso enérgico do mexicano Vicente Fox, que depois de fazer uma extensa descrição dos benefícios que seu país obteve por negociar tratados, chamou os mais reticentes a se sentar para dialogar.

- Ajamos com seriedade, tomemos a direção correta. Espero que consigamos nesta ocasião voltar à mesa da negociações e continuar configurando um acordo único, um acordo diferente, vantajoso - disse o presidente mexicano.

A Alca, impulsionada pelos Estados Unidos e outros 28 países da região, nasceu há mais de uma década, mas faz pelo menos dois anos que as negociações estao paralisadas.

O países do Mercosul - Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil - acreditam que enquanto os Estados Unidos subsidiarem sua produção agrícola não será possível avançar na integração, porque ao mesmo tempo em que impede o acesso pleno aos mercados, colocaria em risco milhares de postos de trabalho.

Isto é o que acreditam os milhares de manifestantes protestaram contra a presença de Bush e contra a Alca, em um ato em que o orador principal foi o líder venezuelano Hugo Chávez, o maior inimigo político de Bush na região.

Fox, tentando destravar a discussão, disse que o propósito da criação do Encontro de Cúpula das Américas foi "a abertura comercial e o uso do comércio como um grande gerador de empregos":

- Isto foi ratificado em Quebec (cúpula de 2001) e aqui estão as assinaturas, incluindo a de Hugo Chávez.

Ninguém espera em Mar del Plata que Chávez mude sua posição de "enterrar" a Alca, enquanto no Mercosul os países manifestam suas dúvidas, mas não querem acabar com o encontro de cúpula.

- Estamos preocupados em discutir uma política de livre comércio no mundo inteiro, na medida em que os países desenvolvidos renunciem a seus subsídios agrícolas, que têm castigado os países pobres - disse o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. - Não é oportuno discutir a Alca em momentos em que se aproxima uma grande reunião da Organização Mundial do Comércio. A partir daí teremos a oportunidade de quebrar os subsídios - acrescentou.

Em dezembro, em Hong Kong, a organização vai se reunir com o objetivo de avançar em um acordo para concretizar em 2006 a rodada de Doha de liberalização do comércio, que tem na agricultura o seu maior obstáculo.

A cada ano, as potências européias e os Estados Unidos destinam bilhões de dólares para proteger sua produção agrícola, o que, na visão dos países em desenvolvimento, obstrui o livre comércio que pregam as nações mais ricas.

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