Publicidade
Ex-presidente

Da promessa de renovação à renúncia: a trajetória de Santiago Peña no Paraguai

santiago peña
Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5) (Foto: Juan Pablo Pino/EFE)

Ouça este conteúdo

Santiago Peña, economista de formação e apoiado pelo Partido Colorado, chegou à Presidência do Paraguai em 2023 como uma figura de renovação, mas deixa o cargo arrastado pela crise provocada pelo fechamento do Ueno Bank, que comprometeu milhões de dólares do sistema previdenciário do país.

Peña, de 47 anos, apresentou sua renúncia nesta quinta-feira (5), depois de perder o apoio de seu próprio partido e diante da ameaça de um processo de impeachment no Congresso, impulsionado após a intervenção no Ueno Bank por problemas de solvência.

"Decidi apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", declarou em um vídeo divulgado na rede social X.

Sua saída encerra antecipadamente um mandato que deveria terminar em 2028 e representa um revés para o Partido Colorado, que governa o Paraguai desde 1947, com uma única interrupção entre 2008 e 2013.

Depois de integrar, durante a juventude, as fileiras do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Peña ingressou em 2016 no partido governista, com o apoio do então presidente Horacio Cartes (2013-2018), considerado seu mentor político e que, nesta quinta-feira, retirou publicamente o apoio ao agora ex-presidente e respaldou o processo de impeachment.

Na época ministro da Fazenda de Cartes, Peña teve sua primeira experiência eleitoral quando registrou, em 2017, sua pré-candidatura à Presidência nas eleições internas daquele ano.

Ele concorreu pelo movimento Honor Colorado, a ala liderada por Cartes dentro do partido governista, mas perdeu para Mario Abdo Benítez.

Em dezembro de 2022, com apenas seis anos de filiação ao Partido Colorado, conquistou a candidatura presidencial da legenda governista. Em 30 de abril de 2023, venceu as eleições gerais com 42,74% dos votos, em uma chapa com Pedro Alliana, que assumiu a Vice-Presidência.

Juventude foi marca da imagem política de Peña

A juventude foi uma das características com as quais Peña construiu sua imagem política. Nascido em 16 de novembro de 1978, em Assunção, tornou-se pai aos 17 anos e se casou aos 19 com Leticia Ocampos, com quem tem dois filhos.

Estudou Economia na Universidade Católica de Assunção e iniciou sua carreira profissional no Banco Central do Paraguai (BCP), onde ingressou em 2000. Posteriormente, cursou mestrado em Administração Pública na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e, em 2009, ingressou no departamento da África do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde trabalhou durante três anos.

Ao retornar ao Paraguai, voltou ao BCP, instituição da qual saiu depois que Cartes o nomeou ministro da Fazenda, em janeiro de 2015, quando tinha 36 anos.

Relação de Peña com o Ueno Bank

Os vínculos empresariais de Peña com o setor financeiro paraguaio ganharam especial relevância durante a crise do Ueno Bank.

O então presidente foi acionista da Ueno Holding, conglomerado pertencente ao Grupo Vázquez, que reúne empresas como o Ueno Bank. Essa participação, vendida em março de 2025, tornou-se um dos principais argumentos dos parlamentares que endossaram um processo de impeachment contra Peña, em análise nesta quinta-feira pelos deputados. Há também uma sessão do Congresso, marcada para a tarde desta quinta, em que os parlamentares vão decidir se aceitam ou não a renúncia do presidente.

O Banco Central do Paraguai determinou, na terça-feira, a liquidação do Ueno Bank após constatar que seu índice de solvência havia caído abaixo do mínimo exigido. A instituição, com cerca de 3 milhões de clientes, administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas previdenciárias e de saúde, além de depósitos de empresas estatais.

Um presidente alinhado a Trump

Na política externa, Peña estreitou seus vínculos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e alinhou o Paraguai a algumas das principais iniciativas de seu governo para a região.

Em março de 2026, participou da cúpula do Escudo das Américas, convocada por Trump em Miami, e assinou a criação da Coalizão Anticarteis das Américas, incorporando o Paraguai a essa aliança regional de segurança.

Críticas a viagens

Peña também foi criticado pela frequência de suas viagens oficiais, que a imprensa paraguaia apelidou de "Santi Tour". Durante seu mandato, realizou mais de 70 viagens ao exterior, com as quais defendia seu objetivo de transformar o país no mais desenvolvido da América Latina.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Tudo sobre:

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.