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Entrevista ao New York Times

Flávio nega ajuda externa para sair do Brasil e diz que levará detalhes da viagem ao túmulo

Com 99,9% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebe 62,6% dos votos no Paraná, contra 37,4% de Lula.
Flávio disse que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que tem poucas chances de reverter o resultado. (Foto: Charles Vieira/Campanha PL)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), ele afirmou que organizou a própria viagem e disse que levará para o túmulo os detalhes de como chegou ao país.

Na entrevista, Flávio afirmou que não considera ter perdido a eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas para o que chamou de “sistema”.

O parlamentar voltou a questionar o resultado das urnas, explicou as circunstâncias de sua saída do Brasil e falou sobre sua atuação política a partir dos Estados Unidos.

Na conversa, Flávio disse que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que tem poucas chances de reverter o resultado.

Questionamento ao resultado da eleição

Ao falar sobre a derrota para Lula, Flávio afirmou que considera o resultado “matematicamente impossível” e resumiu sua avaliação com a frase: “Eu perdi para o sistema”.

O senador disse que pretende recorrer à Justiça e apresentou ressalvas ao falar sobre suas suspeitas de fraude.

“Tenho minhas suspeitas”, afirmou. Em seguida, ponderou: “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”

O parlamentar voltou a questionar a apuração, a influência do governo federal durante a campanha e a segurança do processo eleitoral.

Também levantou dúvidas sobre a extensão do horário de votação, sugerindo que a medida poderia ter servido de cobertura para a inclusão de votos irregulares.

Flávio afirmou que pretende continuar na política e liderar a oposição mesmo nos Estados Unidos.

Na semana passada, durante uma transmissão ao vivo, relacionou a possibilidade de uma nova eleição antes de 2030 a uma eventual crise econômica capaz de abreviar o mandato de Lula.

Na ocasião, previu que o governo poderia cair “muito antes do que muita gente imagina”.

Ao NYT, o senador reafirmou que disputará a Presidência caso o Brasil realize novas eleições.

“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.

Ele também anunciou que pretende questionar na Justiça Eleitoral a vitória da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Flávio relata decisão de deixar o Brasil

Flávio afirmou ao NYT que decidiu deixar o Brasil na manhã seguinte à derrota eleitoral, depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Segundo o senador, a decisão surgiu de uma conversa com a mulher, Fernanda Bolsonaro. Ele negou que tivesse organizado previamente a viagem com aliados e resumiu sua participação: “Foi tudo por mim”.

Durante a visita, Flávio foi informado de que deveria entregar os passaportes no prazo de 24 horas, após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador relatou que percebeu o risco de novas medidas judiciais e que estava preparado para enfrentar as consequências.

Flávio também contou que conversou com o pai sobre a situação, mas afirmou que os dois não discutiram um plano para deixar o país.

Segundo o senador, Jair Bolsonaro perguntou: “Você já sabe aonde eles querem chegar com isso, não é?”. Flávio respondeu que sabia e estava preparado.

Na entrevista, ao ser questionado sobre como organizou a saída do Brasil, Flávio afirmou: “Como cheguei aqui, levarei para o túmulo”.

Ele também negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros: “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.

Segundo o senador, amigos podem ter incentivado a decisão, mas não participaram da organização da viagem.

Família deve permanecer nos Estados Unidos

Flávio disse que ainda não definiu onde a família vai morar nos Estados Unidos.

A mulher e as duas filhas devem permanecer no país por pelo menos um ano, sob um tipo de autorização migratória concedida em situações humanitárias, segundo o NYT.

O senador também afirmou que precisará reorganizar a vida nos Estados Unidos, ao menos por enquanto. O irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já mora no país, no Texas, e obteve residência permanente.

Flávio espera encontrar Trump durante um evento da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), previsto para ocorrer em Mar-a-Lago, na Flórida.

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