
O dalai-lama cancelou a viagem que faria à África do Sul nesta semana por dificuldades em obter visto de entrada no país africano. O bispo anglicano Desmond Tutu havia convidado o líder budista, que assim como ele recebeu o prêmio Nobel da Paz, para proferir a palestra inaugural de paz durante as celebrações de seus 80 anos.
Tutu ficou furioso com o governo da África do Sul, ao qual acusou de atrasar a emissão do visto por pressão da China. Ele afirmou que o governo atual do Congresso Nacional Africano (CNA) é pior que o antigo regime do apartheid, que governou a África do Sul como ditadura até 1994. O governo sul-africano rechaçou as críticas de Tutu, as quais considerou "muito infelizes e totalmente fora de lugar".
Em 2009, Pretória negou visto ao líder tibetano e o governo da África do Sul admitiu que temia irritar a China, que considera o dalai-lama um "separatista", apesar de seus pedidos de autonomia e não de independência do Tibete.
O presidente sul-africano Jacob Zuma disse na segunda-feira que não sabia se o dalai-lama receberia o visto e que o assunto estava nas mãos do departamento de relações internacionais do país.
O aniversário de Desmond Tutu vai incluir o lançamento de um livro e um serviço religioso em 6 de outubro. No dia seguinte, data do aniversário do bispo, haverá um piquenique.
No dia 8, o dalai-lama deveria proferir a palestra inaugural de 80 anos de aniversário de Tutu. O monge budista "viaja pelo mundo para promover valores humanos, harmonia religiosa, a paz mundial e a compaixão", disse o escritório do dalai-lama na Índia.
"Sua santidade lamenta as inconveniências causadas a seus anfitriões e a uma grande parcela do povo sul-africano". O dalai-lama vive no exílio na Índia desde 1959, quando fugiu após um levante fracassado contra o domínio chinês no Tibete.







