
Ela não é a Cicciolina, mas o sexo é a principal bandeira do seu partido. Fundadora do "Sex Party" (Partido do Sexo) na Austrália, a estilista e ex-funcionária de uma empresa de diversão para adultos Fiona Patten vem ocupando espaço dos jornais e outdoors de seu país com o slogan "Nós levamos o sexo muito a sério". O inusitado partido, criado há pouco mais de seis meses, está virando a grande atração para muitos liberais australianos. Em pouco mais de seis meses, centenas de pessoas já se afiliaram e, somente na feira "Sexpo", realizada na cidade de Melbourne em novembro, mil simpatizantes da causa se tornaram membros do grupo político australiano.
O Partido do Sexo foi criado, segundo sua fundadora, para "combater o sistema autoritário" do Estado, criando, por exemplo, novas regras para sites da internet.
"Nossos conflitos de interesse com o governo são o filtro da internet e o baixo índice de educação sexual", disse Fiona ao site do Globo.
A política reformista conta que seu partido pretende alcançar as necessidades de todos os cidadãos australianos, "já que o sexo atinge a todos de alguma forma". A criação do Partido do Sexo, no entanto, é fruto de anos de planejamento, segundo Fiona.
"Há alguns anos um ex-conselheiro político do alto escalão vinha nos incentivando a criar o partido. Ele dizia que nos daríamos muito bem politicamente porque tínhamos muito apoio informal na comunidade. Mas, em 2008, quando o novo governo trabalhista anunciou que iria implementar o filtro de internet, nós concretizamos o nosso projeto", contou a fundadora do partido.
De acordo com a imprensa local, o governo australiano deve começar ainda este mês a testar um filtro nacional na internet que exigirá que provedores bloqueiem o acesso a centenas de sites com conteúdo ilegal. O bloqueio faz parte de um projeto de US$ 82 milhões, cujo objetivo é proteger crianças e impedir adultos de baixar conteúdo ilegal. O plano, no entanto, gerou polêmica entre a oposição e especialistas em tecnologia, que dizem que o sistema deixaria a navegação mais lenta e não bloquearia o conteúdo ilegal.
O sistema proposto pelo governo impediria o acesso a cerca de 10 mil sites de uma lista específica elaborada pelo governo. Os provedores também deveriam oferecer um filtro opcional para bloquear material indesejado aos pais das crianças.
"O bloqueio é basicamente em sites para adultos. A política define como ilegal esse conteúdo, traduzindo-o como pornografia infantil e material de sexo explícito. O governo afirma que é pornografia infantil, mas geralmente o material de pedófilos está disponível por troca de arquivos e isso não será afetado pelo filtro. Eles (membros do governo) têm chamado qualquer um que se oponha ao projeto de simpatizante da pornografia infantil, o que é uma vergonha. O que realmente será bloqueado é o acesso a sites para adultos e qualquer página que o governo não goste, como os sites sobre eutanásia", disse.
Fiona não teme que o país não leve o bloco político a sério. No site do partido, os ensinamentos básicos sobre o tema: "Sexo é uma coisa maravilhosa. É a partir dele que nascemos e, na maioria das vezes, não é por causa dele que morremos. O sexo como gênero define quem somos e, muitas vezes, a nossa função na sociedade."
Casada há 20 anos, ela é realista sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmando que esse dia não está para chegar em um futuro próximo.
"A Austrália não vai legalizar o casamento gay tão cedo. O último primeiro-ministro, o atual, Kevin Rudd, e o líder da oposição são todos contra a legalização. Mas acredito que podemos tentar nos unir aos membros gays dos principais partidos, cerca de 10%, e forçar o governo a enxergar a verdade", afirmou.



