No fundo, a visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido, encerrada no domingo, deve ter sido uma decepção para sua legião de detratores. Apesar de suas firmes promessas, Richard Dawkins e Christopher Hitchens não conseguiram agarrar o Papa e jogá-lo na prisão. Os protestos foram um acontecimento secundário, e não o mais marcante da visita. E a ameaça (felizmente vazia, no fim das contas) de um complô para assassiná-lo apenas fizeram lembrar de como é a face do extremismo religioso.

Durante a visita, a multidão compareceu, como sempre faz em visitas papais. Mesmo num momento de escândalo para os católicos, mesmo num Pontificado que tropeça nas relações públicas, Bento XVI ainda conseguiu atrair uma plateia entusiasmada e calorosa.

Não há dúvidas de que os 5 milhões de católicos britânicos não concordam com tudo o que Bento XVI ensina. E que a maioria está assustada com os casos de abuso de crianças e desapontada com a presença de homens que permitiram que eles ocorressem em altos postos da Igreja.

Mas aqueles que compareceram aos discursos o fizeram não necessariamente para mostrar concordância, e sim respeito.

Tradução: Helena Carnieri

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