Naltchik (AE/AP/Folhapress) Rebeldes separatistas chechenos fizeram ontem uma série de ataques simultâneos na cidade de Naltchik, capital da república russa Kabardino-Balkária, uma das mais violentas áreas da região do Cáucaso. No confronto com agentes de segurança, ao menos 85 pessoas morreram 60 rebeldes e 25 civis. Até a noite de ontem, os agressores ainda mantinham reféns em uma delegacia de polícia. Os rebeldes usam a luta armada para tornar a Chechênia, república russa de maioria islâmica, um território independente.
O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o bloqueio da cidade e uma ofensiva das forças de segurança. De acordo com a agência de notícias russa Interfax, o vice-ministro russo do Interior, Alexander Chekalin, disse, ao sair de uma reunião com Putin, que "o presidente ordenou às forças de segurança que mantenham todos os militantes em Naltchik e que "qualquer pessoa portando armas seja eliminada. A morte de militantes chechenos foi confirmada por Chekalin. Médicos dos hospitais locais afirmam que há mais de 70 feridos.
O confronto em Naltchik começaram na manhã de ontem, quando um grupo de rebeldes invadiu vários prédios oficiais, incluindo o Ministério do Interior. Os agressores também invadiram o quartel-general da polícia e, em instantes, o conflito se espalhou por várias partes da cidade. O tiroteio entre policiais e agressores prosseguiu e até uma escola da região teve que ser esvaziada às pressas, já que os supostos rebeldes tentavam entrar no local. Rebeldes invadindo escolas não são uma novidade no Cáucaso. Um episódio semelhante, ocorrido no ano passado em Beslan (veja quadro), causou grande desgaste para o presidente russo Vladimir Putin. Isso porque as forças policiais invadiram a escola numa ação considerada precipitada, que resultou em mais de 300 mortes.
De acordo com agências de notícias russas, mais de 300 rebeldes teriam realizado o ataque de ontem a Naltchik. O Serviço de Segurança Federal da Rússia negou essa informação, mas não esclareceu quantas pessoas invadiram a cidade. O ataque foi reivindicado pelos rebeldes chechenos do grupo Yarmuk, ligado a Shamil Bassayev, por cuja cabeça o governo russo promete pagar US$ 10 milhões.
A região de Kabardino-Balkária assim como outras regiões na Rússia tem registrado um crescimento de movimentos extremistas islâmicos e o aumento da violência contra as forças de segurança, soldados e outros membros do governo.
Na república do Daguestão os ataques são quase diários. Ocasionalmente, os rebeldes também agem fora da região em que vivem. Em outubro de 2002, tomaram como reféns mais de 600 espectadores do Teatro Dubrovka, em Moscou. A invasão de forças oficiais com gás lacrimogêneo foi respondida com tiros. Mais de 100 civis morreram. Por trás da ação estava Bassayev, que também é classificado como terrorista pelo governo dos Estados Unidos.



