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Depois de Mubarak

Egito inicia campanha eleitoral de olho em papel do Exército

Defensores da democracia temem que o novo parlamento vai ter pouco valor a não ser que o Exército se submeta a um governo civil e ao futuro presidente

O Egito deu início nesta quarta-feira (02) à campanha oficial para as eleições parlamentares, vistas como vitais para restabelecer a estabilidade após oito meses de comando militar, enquanto oponentes dos islâmicos declararam uma batalha "de vida ou morte" pelo futuro do país.

O vencedor poderá ter o primeiro mandato popular na história moderna do Egito depois de décadas de governos autoritários e garantir um papel decisivo no desenho de uma nova constituição --tema de lutas de poder entre islâmicos, liberais e militares.

Defensores da democracia temem que o novo parlamento vai ter pouco valor a não ser que o Exército se submeta a um governo civil e ao futuro presidente que vai substituir Hosni Mubarak, presidente e ex-comandante da Força Aérea que foi deposto em fevereiro em um levante popular.

"As Forças Armadas não são um Estado acima do Estado e nem serão", disse o candidato a presidente e ex-observador nuclear da ONU Mohamed ElBaradei, em comunicado. "Há uma diferença entre um Estado civil democrático que garante os direitos dos homens e uma tutela militar."

Os militares dominaram a presidência desde o golpe militar de 1952 e controlam grande parte da economia. Com a saída de Mubarak, o Exército prometeu passar o poder para civis, mas muitos egípcios suspeitam que os militares continuarão operando as alavancas do poder mesmo depois que o novo presidente for eleito.

Autoridades de partidos islâmicos e liberais abandonaram um encontro com o governo na terça-feira quando o vice-primeiro-ministro, Ali al-Silmi, fez circular um documento propondo princípios para a constituição que permitiriam que o Exército contestasse um governo eleito.

A Irmandade Muçulmana, um dos grupos políticos mais influentes do Egito, exigiu que Silmi renunciasse, assim como o governo, se tentasse estabelecer regras específicas para a constituição.

"Nós consideramos isso uma usurpação do direito do povo de escolher sua própria constituição", afirmou a Irmandade em uma declaração.

Aqueles que apoiam que o Exército tenha o direito de contestar um governo eleito afirmam que ele poderia impedir que o poder caísse nas mãos de fanáticos religiosos. Já oponentes alegam que o Exército está levantando o espectro de um golpe islâmico para manter seus privilégios.

A derrubada de Mubarak permitiu que grupos islâmicos com apoio enraizado entrassem na política formal e quebrassem a ordem construída em torno do agora dissolvido Partido Nacional Democrático.

As eleições parlamentares devem começar em 28 de novembro e duram até março, com datas diferentes de acordo com a Câmara e a região do país.

Alguns partidos seculares colocaram de lado grandes divergências políticas para unir forças contra os islâmicos, dentro do slogan "Juntos vamos manter nosso direito."

"A batalha pelo parlamento é de vida ou morte. Não é uma batalha eleitoral, mas uma batalha pelo Egito e sua história", disse Basel Adel do Egípcios Livres, um partido secular fundado parcialmente pelo magnata cristão Naguib Sawiris.

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