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Oficiais contam os votos da eleição no Egito | Mahmud Hams/AFP
Oficiais contam os votos da eleição no Egito| Foto: Mahmud Hams/AFP

O primeiro turno das eleições legislativas egípcias, que significam uma ruptura com o regime de Hosni Mubarak, terminava na noite desta terça-feira (29) sem problemas para tranquilidade dos contestados generais no poder, que temem uma onda de violência.

As seções eleitorais nas nove regiões onde foi celebrado o pleito, correspondentes a um terço do país, começaram a fechar às 15h00 de Brasília, mas a Alta Comissão Eleitoral anunciou que as seções continuariam abertas para permitir a votação de eleitores que ainda continuam nos locais.

Vaiado nas recentes manifestações maciças no país para pedir uma transferência rápida do poder a uma autoridade civil, o marechal Tantawi expressou satisfação sobre a forma como as eleições transcorreram.

O marechal Tantawi está "feliz por constatar a participação maciça dos cidadãos, em especial de mulheres e jovens", afirmou Ismail Etmane, do Conselho Supremo das Forças Armadas, que assegurou que a taxa de participação atingiria 70%.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "cumprimentou o povo do Egito" por "sua determinação em conseguir uma mudança democrática" e saudou a calma como a votação se passou.

Ban Ki-Moon "saúda a população e as autoridades do Egito por sua participação entusiasmada nesta primeira etapa do processo eleitoral e pela calma e a ordem com que transcorreu a votação", acrescentou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky.

Os primeiros resultados parciais serão anunciados a partir de quarta-feira, segundo a Alta Comissão Eleitoral.

Na hora do fechamento, os últimos eleitores deixavam as seções eleitorais na escola de nível fundamental Fuad Galal, na velha Cairo.

Este foi o segundo dia do primeiro turno das primeiras eleições legislativas desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, que a imprensa qualificou de "prova de democracia" bem sucedida pela alta participação e ausência de incidentes.

Os Estados Unidos comemoraram a votação, sobre a qual, segundo o Departamento de Estado, os observadores independentes presentes no Egito tiveram impressões "positivas".

Este primeiro turno eleitoral de dois dias foi realizado com um terço das regiões do Egito, incluídas as cidades de Cairo e Alexandria, as duas mais populosas, e 17,5 milhões dos 40 milhões de eleitores inscritos. Serão eleitos 168 dos 498 deputados da Assembleia do Povo.

País árabe mais populoso, o Egito tem população de 80 milhões de pessoas.

As eleições dos deputados da Assembleia do Povo devem terminar em 11 de janeiro e a da Shura (Câmara Alta consultiva), em 11 de março.

Analistas avaliam que a Irmandade Muçulmana do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) serão, ao final das eleições, a primeira força política do Egito, em sintonia com a Tunísia e o Marrocos, onde as eleições consagraram vencedores partidos islamitas.

Nos últimos dias de campanha eleitoral, a repressão das manifestações deixou 42 mortos e mais de 3.000 feridos.

Com a Irmandade Muçulmana competem dezenas de partidos, entre eles os salafistas (muçulmanos fundamentalistas), de criação recente e sem implantação nacional.

Muitos deputados do partido de Mubarak, proibido, tentam se eleger como candidatos independentes ou em novos partidos.

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