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Tecnologia atômica

Em busca de energia limpa

Grupo de países decide investir US$ 21 bilhões na construção de reator para produzir energia a partir da fusão nuclear

Entenda como funciona a fusão nuclear |
Entenda como funciona a fusão nuclear (Foto: )

Depois de meses de incerteza, os países parceiros do reator nuclear experimental (Iter, na sigla em inglês) acertaram finalmente na quinta-feira um acordo sobre o calendário e o financiamento do projeto em busca da geração de energia limpa e barata por meio da fusão nuclear. A sede do programa fica em Cadarache, sul da França, com apoio de Japão, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Rússia, União Euro­­peia e Índia.

A fusão termonuclear controlada, objeto de investigações no Iter, é considerada a solução alternativa à fissão nuclear, fonte de resíduos radiativos que permanecem durante milhares de anos. Aplicada nas centrais eletronucleares atuais, a fissão se traduz pela fragmentação do núcleo de um átomo para a obtenção de energia. Ao contrário, a fusão nuclear controlada consiste em fazer fundir os núcleos de diferentes tipos (isótopos) de átomos de hidrogênio para formar o hélio.

A primeira tentativa de fusão de átomos de hidrogênio está prevista para 2019, mas o processo final, utilizando o trítio e o deutério, dois isótopos do hidrogênio, só será lançado em 2026. Quase inesgotável, o deutério pode ser facilmente extraído da água, que o contém a até 40 miligramas por litro.

Recursos

Os parceiros do projeto concordaram em investir cerca de US$ 21 bilhões até 2027. O reator entrará em fase de construção já a partir deste verão, no He­­misfério Norte. A Europa se comprometeu a contribuir com até 6,6 bilhões de euros (US$ 9 bilhões de dólares), le­­vando em conta sua parte no projeto, de 45%.

O objetivo do Iter é criar o maior reator de fusão nuclear do mundo, com a capacidade inédita de produzir mais energia do que consome, reproduzindo na Terra as reações nucleares que ocorrem no Sol. A proposta é gerar, com 50 megawatts (MW) de energia iniciais, pelo menos 500 MW.

As obras de infraestrutura para a construção do reator estão no início. Foi realizada apenas a terraplenagem do terreno de 42 hectares (o equivalente a cerca de 42 campos do tamanho do Maracanã) que irá abrigar o projeto.

O gigantesco reator Tokomak será erguido dentro de um prédio de 57 metros de altura, com outros quatro andares subterrâneos.

Viabilidade

Para alcançar o objetivo do Iter, os cientistas terão que criar artificialmente temperaturas de cerca de 150 milhões de graus Celsius, que por sua vez transformam partículas atômicas em um gás incandescente, o plasma.

O problema é que, até hoje, o máximo de energia obtido por meio de plasma foi o equivalente a cerca de 70% da energia investida em produzir o gás. Em outras palavras, ainda não se sabe como transformar a fusão nuclear em uma atividade economicamente viável.

No entanto, cientistas envolvidos no projeto acreditam que o Iter seja a melhor forma de obter uma fonte de energia limpa e renovável.

"Nós temos apenas um número limitado de fontes de energia. A fusão é uma delas. O investimento nessa tecnologia vale a pena, porque vai possibilitar uma recompensa de longo prazo, para os seus filhos, netos e bisnetos", afirmou o físico David Campbell, do Iter.

Histórico

O Iter começou em 1985, quando os então presidentes dos EUA, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mi­­­­khail Gorbachev, decidiram fechar um acordo internacional para desenvolver ener­­gia a partir da fusão nuclear.

O programa não decolou por falta de investimentos e as dúvidas sobre sua viabilidade.

Os sete integrantes do projeto esperam que seu sucesso não só garanta a energia do futuro, mas divisas referentes aos royalties a serem obtidos com a venda das tecnologias para outros países ou empresas.

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