
Ouça este conteúdo
O Kremlin informou nesta terça-feira (4) que o ditador russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contato no qual destacaram possuir “posições idênticas ou semelhantes sobre muitas questões globais”.
Segundo nota do governo da Rússia, a conversa ocorreu “por iniciativa do lado brasileiro” e os dois líderes “discutiram formas de fortalecer ainda mais as relações bilaterais em diversas áreas, dando seguimento à reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Rússia-Brasil realizada no início deste ano, bem como a outros contatos”.
“Atenção especial será dada à expansão e à diversificação do comércio bilateral”, apontou o comunicado.
O Kremlin acrescentou que “houve uma troca de pontos de vista sobre questões internacionais atuais, incluindo a situação em torno da Ucrânia”, e Putin agradeceu a Lula “pelos esforços para ajudar a encontrar uma solução política e diplomática para o conflito na Ucrânia”.
“Os dois líderes confirmaram que a Rússia e o Brasil possuem posições idênticas ou semelhantes sobre muitas questões globais importantes. Eles concordaram em manter uma coordenação estreita na ONU e em outras plataformas multilaterais”, afirmou o comunicado.
Segundo informações da agência EFE, o assessor presidencial russo, Nikolai Patrushev, está no Brasil esta semana.
Ex-diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, a agência de inteligência russa) e atualmente responsável pela gestão da frota naval da Rússia, Patrushev iniciou sua visita na segunda-feira (3) no Colégio Naval, dando início a reuniões focadas na cooperação naval e na segurança marítima entre os dois países.
Uma das reuniões ocorreu no Ministério dos Portos e Aeroportos, onde foram analisadas as possibilidades de colaboração entre empresas do setor logístico, assim como medidas para melhorar a eficiência do transporte marítimo.
Lula causou indignação em 2023 ao falar que tanto Ucrânia quanto Rússia são responsáveis pela guerra no primeiro país e ao dizer que o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Putin não seria cumprido se ele viesse ao Brasil para a cúpula do G20, realizada em novembro de 2024 no Rio de Janeiro. Depois, o petista desconversou sobre a ordem de prisão contra o ditador russo, que não veio para o evento.
Desde o início da guerra na Ucrânia, o Brasil aumentou a compra de derivados de petróleo e fertilizantes da Rússia, gerando questionamentos éticos sobre financiamento à agressão russa ao país vizinho.
Porém, no mês passado, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) relatou que as importações brasileiras de diesel russo caíram 65% em junho na comparação com maio, devido à menor disponibilidade do produto e à alta nos preços, já que muitas refinarias estão fora de operação no país eurasiático por manutenção ou porque sofreram ataques de drones da Ucrânia.
Em julho, o diplomata porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, afirmou à Gazeta do Povo que a chancelaria ucraniana passou a reconsiderar o plano para acabar com a guerra elaborado pelos governos da China e do Brasil em maio de 2024.







