
Para o pastor evangélico e lavrador Abel Passoni, de 72 anos, a morte do filho, da nora e dos dois netos na Itália foi vontade de Deus.
O casal Izael Passoni, de 42 anos, Cleide Mara, 39, e os filhos Weriston, 20, e Laine Kellen, 16, estão entre as 17 mortes ocorridas numa inundação em Arzachena, no norte da ilha da Sardenha, na madrugada de ontem.
"Essas coisas Deus permite que aconteçam e não temos o que fazer", diz um resignado Abel, por telefone, em seu sítio de dez alqueires em Divinolândia (a 264 km de São Paulo), na divisa com Minas Gerais.
"E não tem mais nenhum para consolar a gente. Foram todos", diz o agricultor. "Mas encaro que, graças a Deus, Ele preparou a gente e está dando apoio a todos nós. Com muita dificuldade, nós vamos vencer essa luta."
A família brasileira dormia no porão de uma mansão, segundo Abel, quando a água da chuva tomou o local e os afogou.
"A água subiu três metros acima do nível do porão. Teve gente que tentou ligar para eles, para avisar da tempestade, mas lá não pega telefone. Eles não acordaram."
Os quatro haviam se mudado há menos de dois meses para o local, onde não pagavam aluguel. Em troca, Izael cuidava da casa nos fins de semana. De segunda a sexta, trabalhava de jardineiro para um italiano e ganhava 80 euros por dia (1.600 euros por mês).
"Falei com ele [Izael] no domingo e ele estava um pouco feliz, porque tinha se mudado para lá e parado de pagar aluguel", diz Abel. O filho gastava 650 euros por mês em um apartamento na cidade, cerca de 40% do que ganhava. "O aluguel estava muito caro. Era o que ele mais reclamava", diz.
O pai de Izael diz que o filho, que estava com a família há oito anos na Europa e já tinha morado em Arzachena e Luogosanto, na Sardenha, e em Lanzarote, na Espanha, planejava voltar ao Brasil em novembro de 2014.







