O argentino Carlos Lauria é coordenador para as Américas do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, que monitora o papel da imprensa em todo o mundo. O órgão emitiu ontem um comunicado condenando o governo de Hugo Chávez por perseguição à imprensa livre.
O CPJ e outras entidades internacionais condenaram a nova medida do governo. Até que ponto essa pressão adianta?
É importante a Venezuela, como signatária de tratados internacionais, continuar sendo pressionada a não cometer abusos contra a liberdade de expressão. No ano passado, por exemplo, evitamos que Chávez aprovasse um projeto de lei contra crimes midiáticos, que basicamente mandaria jornalistas que o criticassem para a prisão. Este ano, Guillermo Zuloaga (dono da tevê Globovisión) também não ficou preso porque sua detenção foi condenada internacionalmente.
Como o comitê avalia a situação da imprensa e dos jornalistas na Venezuela?
Como muito complicada. Não se pode falar ainda numa relação ditatorial. Mas está claro que o governo intensificou sua investida contra a imprensa livre e independente, principalmente de 2007 para cá, quando fechou a RCTV. Desde então, dezenas de rádios independentes já pararam de funcionar, há todos os problemas com a Globovisión. E, agora, esta censura prévia aos jornais abre um novo capítulo, já que até então a mídia impressa era apenas estrangulada economicamente, mas não impedida de publicar.
Há uma motivação política?
Sem dúvida. A questão da violência é, ao lado da crise econômica, o maior motivo de inquietação do povo venezuelano. Estrangular este tipo de cobertura na mídia priva o eleitor, de uma forma grave, de saber sobre temas que afetam sua vida. E isso pode influenciar no voto, no dia 26 de setembro.



